EUA despejaram 27 mil barris com resíduos radioativos no oceano e cientistas começam a investigar

Material foi lançado em águas profundas ao longo de décadas, e novas pesquisas indicam riscos ambientais persistentes no fundo do mar

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
EUA jogaram 27 mil barris de resíduos radioativos no mar e descoberta preocupa cientistas
(Foto: David Valentine/ ROV Jason)

Durante décadas, os Estados Unidos despejaram milhares de barris com resíduos radioativos e altamente poluentes no fundo do oceano, em uma prática autorizada ou pouco regulada à época.

Entre os anos 1930 e o início da década de 1970, áreas profundas do oceano Pacífico, próximas à costa da Califórnia, foram usadas como locais oficiais de descarte industrial.

Registros históricos indicam que ao menos 27 mil barris foram lançados nessas regiões, contendo uma mistura de resíduos radioativos de baixo nível, rejeitos químicos industriais, subprodutos do refino de petróleo e materiais ligados à atividade militar.

Naquele período, prevalecia a ideia de que o oceano profundo funcionaria como um meio de diluição permanente, capaz de neutralizar substâncias tóxicas ao longo do tempo.

A maior parte dos materiais foi acondicionada em barris metálicos simples, sem qualquer estratégia de contenção ou monitoramento de longo prazo.

Por décadas, esses depósitos permaneceram praticamente esquecidos, devido à grande profundidade, ao alto custo das expedições científicas e à limitação tecnológica para exploração do fundo do mar.

O cenário começou a mudar nos últimos anos, com o avanço de tecnologias de mapeamento submarino e o uso de veículos operados remotamente.

Levantamentos recentes identificaram milhares de objetos com formato compatível com barris espalhados pelo leito oceânico, além de grande quantidade de detritos.

As imagens revelaram recipientes corroídos e cercados por manchas claras nos sedimentos, o que despertou a atenção da comunidade científica.

Estudos conduzidos por instituições de pesquisa dos Estados Unidos apontaram que parte desses barris contém resíduos extremamente alcalinos, capazes de alterar a química do fundo do mar.

Em áreas próximas a alguns recipientes, o pH dos sedimentos chega a níveis considerados hostis à maioria das formas de vida, indicando impactos ambientais severos e duradouros.

As análises também mostram redução drástica da vida microbiana nessas regiões, sinalizando um ambiente degradado mesmo após mais de meio século do descarte.

Apesar dos avanços, ainda não se sabe quantos barris permanecem intactos, quantos já vazaram completamente ou se contaminantes estão entrando na cadeia alimentar marinha.

Pesquisadores alertam que os resíduos devem ser tratados como poluentes persistentes, com potencial de impacto ambiental por décadas ou até séculos.

O desafio agora envolve mapear a extensão real da contaminação e definir se há formas seguras de monitoramento ou intervenção, diante dos riscos técnicos e ambientais envolvidos.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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