Médicos credenciados param em Goiânia e denunciam sucateamento na rede pública
Categoria reclama de salários atrasados desde novembro e falta de insumos básicos

A rede pública de saúde de Goiânia amanheceu sob forte tensão nesta terça-feira (13). Médicos e outros profissionais credenciados decidiram cruzar os braços em um movimento de paralisação que expõe a crise da gestão.
O motivo, segundo o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) e o SindSaúde, seria o sucatamento dos serviços.
Luzineia Vieira, presidente do SindSaúde, relatou um cenário de “guerra” nas unidades: falta de medicamentos básicos, insumos elementares e aparelhos de raio-X tão defasados que o sistema sequer permite o repasse dos resultados aos médicos. Além disso, há uma denúncia de que os salários estariam retidos desde o mês de novembro.
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Outro ponto que ferve nos bastidores é a falta de diálogo sobre o fechamento de unidades de saúde.
Segundo os sindicatos, a Prefeitura tem encerrado atividades de postos de atendimento sem discutir com os trabalhadores ou garantir uma rede de respaldo, o que acaba sobrecarregando as unidades que permanecem abertas.
A categoria pede a realização urgente de concurso público para acabar com a precarização dos contratos e reduzir o adoecimento dos profissionais, que, segundo Luzineia, não conseguem sequer atestados para cuidar dos próprios filhos quando adoecem.
Por outro lado, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia tenta colocar panos quentes na situação. Em nota enviada à imprensa, a pasta garantiu que não há atrasos nos repasses e que o pagamento segue a regra do 20º dia útil do mês subsequente.
A SMS também defendeu o novo credenciamento, afirmando que os valores dos plantões estão “adequados à realidade do mercado” após um estudo de impacto financeiro.
Sobre os insumos, a secretaria alega ter adquirido mais de 200 tipos de medicamentos em 2025 para sanar as faltas.
Por fim, apesar do tom de urgência dos sindicatos, a Prefeitura minimizou o alcance da paralisação, pontuando que o movimento estaria concentrado apenas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim América.
Confira, na íntegra, o posicionamento emitido pela SMS:
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informa que, em razão da natureza essencial dos serviços, os atendimentos de urgência e emergência precisam ser integralmente mantidos em todas as unidades da rede. A SMS pontua que o novo credenciamento adequa os valores dos plantões médicos à realidade de mercado e é embasado por estudo de impacto orçamentário e financeiro que avaliou os valores praticados em toda a região metropolitana de Goiânia.
A pasta esclarece que, tanto no edital antigo quanto no novo, o pagamento de profissionais credenciados é previsto no 20º dia útil do mês subsequente e que não há atualmente repasses em atraso. No entanto, para que os profissionais tenham maior previsibilidade no recebimento dos repasses, a secretaria irá alterar a data de pagamento para o dia 25 de cada mês.
A SMS destaca que a reconstrução das redes de atenção à saúde do município é um processo e que atua em diversas frentes para melhoria das condições de trabalho dos profissionais de saúde. A secretaria informa que no ano passado mais de 40 unidades de saúde receberam serviços emergenciais de manutenção predial e que efetuou a entrega de mais de 3 mil novos móveis, em substituição a itens deixados em péssimas condições de uso pela gestão anterior.
Em 2025, a pasta adquiriu e distribuiu mais de 200 tipos de medicamentos e insumos que estavam em falta nas redes de atenção à saúde e promoveu a troca da empresa responsável pelo serviço de higienização e fornecimento de materiais de limpeza nas unidades de saúde, que estavam constantemente em falta.
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