Ave gigante dada como extinta reaparece e intriga cientistas
Considerada perdida por décadas, espécie sem voo virou símbolo da conservação na Nova Zelândia e voltou a ocupar áreas históricas

Durante anos, ela existiu apenas em registros antigos e na memória de naturalistas. Grande, incapaz de voar e com cores marcantes, a ave parecia ter desaparecido para sempre da paisagem da Nova Zelândia.
Hoje, no entanto, o takahē voltou a caminhar por campos onde não era visto havia décadas, transformando uma extinção anunciada em um dos programas de conservação mais duradouros do país.
Parente distante da galinha-d’água comum, o takahē se diferencia pelo porte robusto, pernas fortes e hábitos totalmente terrestres. Adaptado a áreas abertas de gramíneas nativas em regiões montanhosas, ele depende de ambientes específicos para sobreviver — justamente os mais afetados por mudanças humanas e pela introdução de predadores ao longo do tempo.
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No fim do século XIX, após a captura do último exemplar conhecido, a espécie foi considerada extinta. A ausência de registros confiáveis reforçou a ideia de um desaparecimento definitivo, alimentado pela caça, pela alteração do habitat e, principalmente, pela presença de mamíferos predadores que passaram a ameaçar ovos e filhotes.
Décadas depois, a história tomou um rumo inesperado. Em uma região remota e de difícil acesso nas montanhas de Fiordland, acima do lago Te Anau, o takahē foi reencontrado.
O local funcionava como um refúgio natural, com clima rigoroso e campos de gramíneas altas que ajudaram a manter a espécie longe de pressões mais intensas.
A redescoberta mudou completamente a estratégia de conservação no país. O governo da Nova Zelândia estruturou um programa contínuo voltado exclusivamente para evitar que a ave desaparecesse novamente.
Hoje, o takahē ainda é classificado como ameaçado, mas conta com uma população estimada em cerca de 500 indivíduos — resultado direto de décadas de manejo intensivo.
O esforço envolve reprodução assistida, monitoramento constante e a criação de populações de segurança em locais livres de predadores. Ilhas e santuários passaram a desempenhar papel central, reduzindo a exposição de ovos e filhotes e aumentando as taxas de sobrevivência.
Um dos pilares desse trabalho é o Burwood Takahē Centre, onde aves são criadas em ambientes controlados que reproduzem as condições naturais do habitat original.
Ali, os jovens aprendem a forragear, reconhecer alimentos e desenvolver comportamentos essenciais antes de serem transferidos para áreas selvagens.
Com esse modelo, o programa avançou para uma nova etapa: a reintrodução planejada em regiões onde a espécie existia historicamente.
Parques nacionais e áreas naturais passaram a receber pequenos grupos, tratados como parte de uma grande metapopulação, com manejo voltado à diversidade genética e à autonomia dos indivíduos.
Além da importância ecológica, o takahē também carrega forte valor cultural. Para o povo Ngāi Tahu, da Ilha do Sul, a ave é considerada um taonga — um tesouro natural — e sua proteção envolve a atuação de kaitiaki, guardiões tradicionais que participam das decisões sobre conservação.
Mais do que um caso curioso, a trajetória do takahē mostra que a recuperação de uma espécie não acontece de forma repentina. Trata-se de um processo longo, sujeito a avanços e retrocessos, que exige controle de ameaças, ambientes seguros e compromisso contínuo.
De “extinta” a novamente presente na natureza, a ave sem voo se tornou uma verdadeira “lenda viva” da biologia moderna — e um lembrete de que, com estratégias certas, até espécies dadas como perdidas podem ganhar uma segunda chance.
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