País onde sair às 15h é normal agora discute semana de 4 dias

Com jornada legal de até 40 horas e contratos comuns de 37,5, país de primeiro mundo testa semana de 4 dias para frear estresse e adoecimento

Gustavo de Souza -
País onde sair às 15h é normal agora discute semana de 4 dias
(Foto: Ilustração/Freepik)

Oito horas por dia, 44 por semana: esse é o limite constitucional no Brasil. Na Noruega, a lógica é diferente. A legislação fixa jornada máxima de 40 horas semanais, mas acordos coletivos costumam estabelecer 37,5 horas — o que torna comum encerrar o expediente às 15h ou 16h.

Mesmo com menos horas trabalhadas, o país agora discute a adoção da semana de quatro dias. A motivação não é queda de produtividade, mas o aumento dos afastamentos por doença e os alertas sobre saúde mental.

Menos horas, mas mais estresse

Dados da Statistics Norway (SSB) indicam que a taxa de afastamento por doença ficou em torno de 6,4% em 2025. O índice mantém o país entre os que registram níveis elevados de licenças médicas na Europa.

Relatórios regionais, como o Nordic Health Report 2024, apontam crescimento da percepção de estresse prolongado entre trabalhadores nórdicos. A digitalização e a hiperconectividade são citadas como fatores que ampliam a pressão, mesmo fora do horário formal de trabalho.

O paradoxo chama atenção: reduzir horas não elimina, necessariamente, o desgaste mental.

Implementação comlexa

A proposta de semana de quatro dias vem sendo testada por empresas que reorganizam rotinas para manter salários e produtividade. O modelo exige menos reuniões, mais foco e regras claras sobre disponibilidade.

Ainda assim, especialistas alertam que a medida não se aplica com facilidade a setores como saúde, transporte e serviços essenciais, onde o atendimento é contínuo. Além disso, concentrar tarefas em menos dias pode aumentar a intensidade da jornada.

Esses critérios que, de primeira, podem parecer um empecilho para a implementação de jornadas com menos dias, devem questionar outro ponto mais latente: não apenas o ritmo de trabalho deve ser alterado, como também é preciso repensar sua organização na sociedade.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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