Fim da escala 6×1: supermercados começam a adotar nova jornada para atrair funcionários e minimizar a escassez de mão de obra
Debate sobre descanso semanal avança no país e pressiona empresas a reverem rotinas em meio à disputa por trabalhadores

A busca por funcionários no varejo deixou de ser apenas uma questão de salário e passou a envolver também a forma como a rotina de trabalho é organizada. Em um setor que funciona aos fins de semana, feriados e em longas faixas de horários, a escala virou parte central da disputa por mão de obra.
Nesse cenário, redes supermercadistas começaram a testar jornadas consideradas mais previsíveis. Uma das iniciativas mais recentes vem do Grupo Savegnago, no interior de São Paulo, que decidiu ampliar a escala 5×2 em unidades da rede.
O modelo prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso. Segundo a empresa, a mudança mantém as 44 horas semanais, carga ainda permitida pela legislação brasileira, mas redistribui o expediente ao longo da semana.
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Assim, a jornada diária passa a ser maior, chegando a 8h48. A diferença é que o funcionário deixa de trabalhar seis dias para ter apenas um de folga e passa a contar dois dias de descanso.
A medida começou de forma experimental em Indaiatuba e, após avaliação interna, avançou para outras unidades do Savegnago Supermercados e do Paulistão Atacadista. A empresa afirma que acompanha indicadores operacionais, desempenho das equipes e impactos na rotina das lojas.
O movimento ocorre em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6×1. Em abril de 2026, o Governo Federal enviou ao Congresso um projeto para reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, e garantir dois dias de descanso remunerado.
No entanto, a proposta ainda não representa uma mudança definitiva na legislação. Atualmente, a Constituição prevê jornada normal de até oito horas diárias e 44 horas semanais, com possibilidade de compensação mediante acordo ou convenção coletiva.
Para o setor supermercadista, a discussão tem peso estratégico. Dados da ABRAS mostram que o varejo alimentar movimenta mais de R$ 1 trilhão por ano e emprega milhões de pessoas direta e indiretamente no país.
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