Os 3 alimentos que os veterinários nunca dão aos próprios cães, segundo profissionais

Pequenos agrados na rotina podem esconder riscos graves para os cães e exigem atenção redobrada dos tutores

Layne Brito -
alimentos que os veterinários nunca dão aos próprios cães
(Foto: Reprodução)

Na vontade de agradar o cachorro com um petisco diferente, muitos tutores acabam oferecendo o que está à mão na cozinha. O gesto parece carinhoso, mas esconde uma armadilha.

Alguns alimentos totalmente inofensivos para humanos podem ser perigosos, e até fatais, para os cães. Não à toa, veterinários mantêm certos produtos bem longe da tigela e do alcance dos animais.

O alerta aparece nas listas de toxicologia de entidades como a ASPCA, o Merck Veterinary Manual e a FDA, que ligam esses itens a sintomas que vão de vômitos e fraqueza a convulsões, lesões em órgãos e morte.

Só em 2024, o Centro de Controle de Intoxicação Animal da ASPCA registrou mais de 450 mil atendimentos ligados a possíveis intoxicações.

Para a médica-veterinária Tina Wismer, toxicologista e diretora desse centro, a lógica é simples: prevenir é sempre mais fácil do que correr para a emergência. Veja três dos alimentos que mais preocupam os especialistas.

1. Chocolate

O chocolate é o vilão mais conhecido da lista, mas segue liderando os casos de intoxicação acidental. Não é coincidência: ele reúne dois compostos que o organismo do cão tem dificuldade de processar.

O risco vem principalmente da teobromina e da cafeína. Segundo o Merck Veterinary Manual, a intoxicação pode causar vômito, diarreia, agitação, aceleração dos batimentos, tremores e, nos quadros mais graves, convulsões.

E há um agravante importante: quanto mais escuro o chocolate, maior o perigo. Por isso, chocolates amargos e o cacau puro concentram muito mais risco do que as versões ao leite.

2. Uvas e passas

Se o chocolate assusta pela fama, a uva engana pela aparência inofensiva. Poucas unidades já bastam para desencadear um problema sério, e é por isso que veterinários simplesmente eliminam a fruta do cardápio dos cães, incluindo a versão desidratada, a passa.

A ASPCA aponta o ácido tartárico como o provável responsável pela toxicidade. Como o organismo do cão não consegue processar essa substância, a exposição a uvas e passas pode levar a lesões nos rins.

O Merck Veterinary Manual descreve casos em que o animal precisa de atendimento rápido, hidratação e acompanhamento da produção de urina após a ingestão. Ou seja, é uma daquelas situações em que cada minuto conta.

3. Produtos com xilitol

O terceiro item é o mais traiçoeiro da lista, porque nem sempre salta aos olhos no rótulo. O xilitol é um adoçante usado em produtos “sem açúcar”, e está em mais lugares do que a maioria imagina.

Ele aparece em chicletes, balas, itens de confeitaria, produtos de higiene bucal e até em algumas marcas de creme de amendoim, um clássico oferecido como petisco. É essa presença silenciosa que torna o risco tão fácil de passar despercebido.

De acordo com a FDA, o xilitol pode provocar uma queda brusca de açúcar no sangue do cão, com vômito, fraqueza, falta de coordenação, colapso e convulsões. O Merck Veterinary Manual acrescenta que doses maiores podem causar lesões no fígado, muitas vezes nas primeiras 12 a 24 horas.

O que fazer se o cão comer algum desses alimentos

A orientação dos profissionais é uma só: não espere os sintomas aparecerem para agir. Quando o assunto é intoxicação, a rapidez costuma pesar diretamente na recuperação do animal.

  • Procure ajuda imediata: leve o cão a um médico-veterinário ou hospital veterinário de emergência assim que possível.
  • Leve as informações certas: informe qual produto foi ingerido, a quantidade aproximada e o horário, para orientar o tratamento.
  • Não provoque vômito por conta própria: sem orientação profissional, essa atitude pode agravar o quadro.

Como resume a Dra. Wismer, o segredo está na prevenção. Manter esses alimentos fora do alcance é o jeito mais seguro de garantir que o carinho com o pet não se transforme em uma ida ao veterinário.

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Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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