MPGO vai recorrer de pena aplicada a homem que esfaqueou ex 28 vezes em Anápolis: “imaginou que ela estivesse morta”

Promotor Eliseu Belo detalhou ao Portal 6 que o recurso deve ser julgado em até três meses

Natália Sezil -
Eliseu Belo declarou que vai recorrer da pana aplicada a Wanderson dos Santos Sousa, condenado a 16 anos e 8 meses por tentativa de feminicídio.
Eliseu Belo declarou que vai recorrer da pana aplicada a Wanderson dos Santos Sousa, condenado a 16 anos e 8 meses por tentativa de feminicídio. (Foto: Davi Galvão e Reprodução)

O Ministério Público de Goiás (MPGO) deve recorrer da dosimetria aplicada a Wanderson dos Santos Sousa, condenado a 16 anos e 8 meses de prisão por esfaquear a ex-companheira mais de 25 vezes em Anápolis.

O julgamento aconteceu na última sexta-feira (29), quando o Conselho de Sentença reconheceu a tentativa de feminicídio com três causas de aumento de pena, além da invasão de domicílio durante a noite.

Para o promotor Eliseu Belo, que atuou no caso, a decisão dos jurados atendeu às expectativas, mas a dosimetria definida pela juíza Cristiane Moreira Lopes Rodrigues foi insatisfatória.

Ele contou ao Portal 6 que o recurso deve ser protocolado ainda esta semana para pedir que a pena seja aumentada, “não apenas pela gravidade em concreto do crime”, mas também porque o MPGO discorda da diminuição aplicada.

Por se tratar de uma tentativa, e não do feminicídio consumado, a juíza poderia conceder uma redução entre um terço e dois terços da pena. Eliseu defende que o correto seria a diminuição mínima, baseado na doutrina e na jurisprudência.

Isso porque “ele esgotou os atos de execução, imaginou que ela estivesse morta. Foram 25 facadas em regiões vitais, do pescoço, da coluna vertebral, no peito também, e ela foi encontrada desfalecida, com muito sangue no chão”.

“Se ela não tivesse sido socorrida rapidamente pelo Samu, com o atendimento muito bem feito no hospital, ela teria falecido”, detalhou o promotor.

Quanto ao prazo para que a situação seja encerrada, Eliseu explicou que o MPGO tem até cinco dias depois da sessão do Tribunal do Júri para interpor recurso.

Depois disso, a defesa do réu é intimada para apresentar contrarrazões, para só então o processo ser encaminhado ao Tribunal de Justiça. A expectativa do promotor é de que isso leve até três meses.

Relembre

O crime aconteceu em 26 de maio de 2025, quando Mariana Altiva de Melo voltava para casa. Já era noite quando ela foi surpreendida pelo ex-companheiro, que tinha entrado no imóvel por uma janela e ficado escondido até ela chegar.

A vítima sofreu 28 golpes nas regiões do pescoço, peito e braços, o que aconteceu diante dos filhos – incluindo uma criança de nove anos que assistiu à cena e correu para pedir ajuda aos vizinhos.

Mariana foi socorrida e encaminhada ao Hospital Estadual de Anápolis Dr. Henrique Santillo (Heana), onde permaneceu internada por vários dias.

Já Wanderson fugiu com um carro da família, mas acabou localizado e preso na tarde seguinte.

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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