Virginia Fonseca é alvo de investigação por lavagem de dinheiro e sonegação de impostos
Operações sob análise envolvem a Wepink e também Zé Felipe, que mantém uma empresa de mídia que pode ter movimentado mais de R$ 22 milhões
Com quase 57 milhões de seguidores no Instagram e assunto recente no noticiário por conta das vaias recebidas durante o amistoso do Brasil contra o Panamá, Virginia Fonseca agora protagoniza novos assuntos nas manchetes.
A influenciadora virou alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF), que apura possível lavagem de dinheiro e sonegação de impostos em movimentações milionárias.
A análise da PF acontece um ano depois do fim da CPI das Bets – onde Virginia respondeu a questionamentos sobre contratos milionários de publicidade com casas de apostas – e retoma alguns dos documentos analisados pelo Senado à época.
Agora, a corporação estuda informações reunidas em Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O objetivo da operação é avaliar a legalidade das movimentações financeiras envolvendo Virginia e as empresas relacionadas a ela – que já teriam sido consideradas suspeitas pelos próprios bancos.
Segundo apuração da Revista piauí, uma única companhia da influenciadora recebeu R$ 21.431.684,64 entre março e setembro de 2024 – um valor enviado por Pix e TED ao longo de 62 transferências. A média é de R$ 345.672 por movimentação.
Entre as empresas investigadas, pelo menos outras duas também se destacam. Uma delas é a Wepink, marca de cosméticos que faturou R$ 1,3 bilhão apenas em 2025. Além de “transações atípicas” no fluxo de dinheiro da empresa, a PF apura os sócios que estão por trás do nome.
Além de Virginia, o quadro da Wepink conta com Samara Cahanovich Martins e Thiago Stabile. Este último, antes da parceria com a influenciadora, foi proprietário de uma empresa especializada em design de sobrancelhas e cílios.
Tratava-se da Pink Lash, que teve como sócia Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC”, presa em flagrante em fevereiro de 2024 por suspeita de lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Zé Felipe também está envolvido
O outro nome que chama atenção é o de Zé Felipe, que também virou alvo da operação por conta da Talismã Digital, empresa de mídias digitais mantida em parceria com a ex-esposa.
De março a setembro de 2024, a companhia recebeu R$ 22,4 milhões, dos quais R$ 17,7 milhões foram transferidos pela AMP Pay Marketing e Negócios, em cinco remessas via Pix.
A suspeita, neste caso, surge porque a AMP Pay estaria registrada no Simples Nacional, regime tributário que inclui empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões.
Posicionamento da defesa
Questionado pela piauí, o advogado Felipe dos Santos de Paula, que representa Virginia, argumentou que as transações da AMP Pay para a Talismã Digital são referentes ao pagamento de um cachê por “campanhas publicitárias devidamente contratadas”.
Escreveu, ainda, que “todas as operações foram regularmente declaradas perante os órgãos fiscais competentes, com emissão das respectivas notas fiscais”. Ainda assim, não comentou sobre a capacidade financeira da AMP Pay.
Quanto ao faturamento anual da Wepink, quem respondeu à revista foi Dalmo Jacob do Amaral Jr, que declarou que não houve qualquer ilegalidade. “A empresa utiliza de forma esporádica o mecanismo de antecipação de recebíveis de cartão de crédito, prática lícita e amplamente adotada no mercado”, explicou.
Sobre o alerta emitido pelo Itaú, justificou que “os depósitos mencionados correspondem à parte das receitas de vendas realizadas diariamente nos quiosques próprios [da empresa], que possuía 11 unidades em 2023 e 13 unidades em 2024”.
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