Fábrica tem falência decretada e cerca de 150 funcionários ficam sem salário

Caso envolvendo empresa de embalagens expõe os efeitos de uma crise que saiu dos portões da fábrica e agora avança pela Justiça

Gustavo de Souza -
Fábrica tem falência decretada e cerca de 150 funcionários ficam sem salário
(Foto: Reprodução)

A paralisação de uma fábrica de embalagens em Americana, no interior de São Paulo, ganhou novo capítulo na Justiça e ampliou a apreensão de trabalhadores que ainda aguardam pagamentos após as demissões.

A Brasil Solutions Comércio de Papel e Embalagem Ltda., instalada no bairro Morada do Sol, teve a falência decretada em ação movida por uma fornecedora. O caso atinge ao menos 140 ex-funcionários, que relatam não ter recebido verbas rescisórias e valores referentes ao FGTS.

Trabalhadores aguardam direitos

Segundo a apuração, as demissões foram formalizadas em novembro de 2025, depois da interrupção das atividades da fábrica. Desde então, os ex-empregados passaram a cobrar os valores devidos pelo encerramento dos contratos.

O processo de falência foi movido pela Junpapel Ltda., que cobra uma dívida de aproximadamente R$ 1,74 milhão. Na decisão, o juiz José Guilherme Di Rienzo Marrey entendeu que os requisitos previstos na Lei de Falências foram preenchidos e rejeitou os argumentos apresentados pela empresa.

Com a quebra decretada, os trabalhadores poderão habilitar seus créditos no processo. Pela legislação, dívidas trabalhistas têm prioridade entre os créditos concursais, dentro dos limites legais, mas o pagamento depende dos recursos obtidos com a venda dos bens da empresa.

Empresa diz ter patrimônio

O Sintrapel, sindicato que representa trabalhadores das indústrias de papel, papelão, cortiça e artefatos em Limeira e região, afirmou que acompanha o caso desde as demissões e que ingressou com ações coletivas e individuais.

Ao LIBERAL, o empresário Ivan Linares disse que a empresa recorreu da decisão, mas teve o pedido negado. Segundo ele, contas e ativos foram bloqueados e estão à disposição da Justiça para pagamento dos credores.

Linares também afirmou que havia negociação para venda da fábrica, mas que, com a falência, o caminho deve ser o leilão judicial. Ele sustentou ainda que a empresa possui patrimônio suficiente para quitar as obrigações e negou a retirada de equipamentos da unidade.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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