Instalação de cozinha industrial no CT da Anapolina vira alvo de disputa judicial e troca de acusações
Estrutura produzia 500 marmitas diárias, destinadas a hospitais municipais de Anápolis. Associação alega não ter autorizado uso do espaço

*Atualizado às 16h20 com novo posicionamento
A instalação de uma cozinha industrial no Centro de Treinamento (CT) da Anapolina, localizada no bairro Esperança, em Anápolis, gerou troca de farpas e a movimentação de uma ação judicial entre a Associação Atlética Anapolina (AAA) e a Anapolina SAF.
O caso ganhou notoriedade na última sexta-feira (05), quando foi a público o documento em que o ex-presidente da AAA, Fernando Correia Pereira, solicita indenização da SAF e da LG Alimentação e pede que a estrutura seja desmontada.
Segundo a Associação, a cozinha industrial foi instalada por autorização da SAF, que, no entanto, não é proprietária nem possuidora direta do CT. A entidade também alegou que não foi comunicada, não autorizou nem conseguiu contrapartida pela utilização do espaço.
De acordo com o documento, datado de 27 de maio, a área ocupada pela LG Alimentação contava com maquinário pesado, exaustores, depósitos de gás e manipulação diária de alimentos em escala comercial. Todos os dias, seriam produzidas cerca de 500 marmitas destinadas ao Hospital Alfredo Abrahão, UPA Pediátrica de Anápolis, Hospital Municipal do Leblon George Hajjar, e ao Centro Médico da Jaiara.
A associação alega que as atividades ali começaram em fevereiro de 2026 “e continuam em pleno vapor, sem que a AAA fosse consultada, notificada ou tivesse anuído a qualquer título”, que teve o número bloqueado ao contatar o proprietário da LG e que “não há qualquer cessão, locação, comodato ou permissão de uso formalizada em favor da Anapolina SAF ou de terceiros”.
Para a associação, o uso do espaço pode acarretar danos para a AAA, já que pode ser autuada pela Vigilância Sanitária em caso de irregularidades, pode ter o patrimônio degradado mais rápido, e corre risco de ter a imagem prejudicada em eventuais escândalos (como surto de infecção alimentar).
Diante disso, a AAA pedia a suspensão das atividades da cozinha industrial, solicitava documentos que comprovassem as relações entre os envolvidos, e pedia indenização de pelo menos R$ 100 mil.
Resposta da Anapolina SAF
Após a divulgação do documento, o presidente da Anapolina SAF, André Marques dos Santos, questionou a legitimidade da ação judicial e afirmou que as duas entidades trabalham juntas.
Em nota oficial, ele defendeu que a ação foi proposta por alguém que não poderia representar a AAA, “cujo mandato já havia se encerrado”. E escreveu: “a gestão atual não autorizou nem teve conhecimento prévio da demanda”.
André argumentou que o restaurante já funcionava no CT durante a gestão do presidente anterior, sem qualquer contrato entre as partes, e disse que regularizou a situação assim que assumiu o posto.
Afirmou, ainda, que o espaço foi modernizado para atender aos jogadores e servidores do clube, além de fornecer refeições a terceiros, o que contribui para a sustentabilidade financeira da associação. Disse, por fim, que contesta a ação judicial.
O Portal 6 procurou a Anapolina SAF nesta segunda-feira (08) pedindo um novo posicionamento.
O clube respondeu que já está tomando as medidas necessárias em relação ao que aconteceu, e afirmou que “um ex-presidente assinou um documento ao qual não era de responsabilidade dele”. Destacou também que “a Associação Atlética Anapolina e a Anapolina Saf estão unidas”.
A reportagem também buscou o ex-presidente Fernando Correia, que respondeu que só comentaria sobre o caso na próxima semana.
Leia a nota da Anapolina SAF na íntegra:
A Associação Atlética Anapolina, por seu Presidente André Marques dos Santos, empossado em dezembro de 2025, esclarece:
Uma ação judicial foi proposta em nome desta Associação por pessoa sem legitimidade para representá-la, cujo mandato já havia se encerrado. A gestão atual não autorizou nem teve conhecimento prévio da demanda.
Importa destacar que o restaurante já funcionava no Centro de Treinamento durante a gestão do presidente anterior, sem qualquer contrato formal entre as partes. Foi a atual gestão que, ao assumir, regularizou a situação, formalizando contrato de uso do espaço com a empresa LG Restaurante e Comércio de Alimentos. O espaço foi ainda modernizado e estruturado para atender à alimentação de jogadores e servidores do clube, além de operar o fornecimento de refeições por contratos formais com terceiros — atividade que contribui diretamente para a sustentabilidade financeira da Associação.
Lamentamos que o processo tenha sido exposto nas redes sociais antes mesmo da citação das partes, causando dano injusto à imagem do clube perante sócios, torcedores e parceiros.
As medidas jurídicas cabíveis serão adotadas.
Anápolis, 05 de junho de 2026.
André Marques dos Santos — Presidente
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