“Nomofobia”: o medo invisível que afeta muita gente, e qualquer um pode acabar tendo sem saber

Um hábito cada vez mais comum pode revelar sinais de dependência da tecnologia e afetar o bem-estar sem ser percebido

Gabriel Dias Gabriel Dias -
“Nomofobia”: o medo invisível que afeta muita gente, e qualquer um pode acabar tendo sem saber
Imagem ilustrativa de celular. (Tânia Rego/Agência Brasil)

Ficar alguns minutos sem o celular por perto pode parecer algo simples para muita gente. No entanto, para outras pessoas, a ausência do aparelho provoca inquietação, ansiedade e até sensação de pânico. Esse comportamento tem nome: nomofobia.

O termo vem da expressão em inglês “no mobile phone phobia” e é usado para descrever o medo intenso de ficar sem o telefone, sem bateria, sem sinal ou sem acesso à internet.

Embora ainda não seja reconhecida oficialmente como um transtorno mental, a nomofobia vem sendo observada por especialistas como um reflexo da dependência crescente das tecnologias digitais.

Na prática, o problema aparece quando o uso do celular deixa de ser apenas uma ferramenta de comunicação e passa a interferir no bem-estar, no sono, na concentração e nas relações sociais.

A pessoa sente necessidade constante de verificar mensagens, notificações, redes sociais ou chamadas, mesmo quando não há motivo urgente.

Entre os sinais mais comuns estão ansiedade ao perceber que o aparelho está longe, medo de ficar incomunicável, irritação quando a bateria acaba, dificuldade de concentração sem o celular por perto, checagem repetitiva da tela, sensação de pânico sem internet e desconforto em ambientes onde o uso do telefone não é permitido.

Também podem surgir sintomas físicos, como aumento dos batimentos cardíacos, suor, náusea, dor de estômago e tensão. Em alguns casos, a pessoa passa a evitar situações em que não poderá usar o aparelho, o que pode prejudicar a rotina.

Especialistas apontam que os próprios recursos dos smartphones favorecem esse comportamento. Notificações, vibrações, redes sociais e aplicativos são projetados para manter a atenção do usuário por mais tempo. Com isso, o cérebro passa a associar o celular a recompensa, segurança e sensação de controle.

Outro fator é a pressão para estar sempre disponível. No trabalho, nos estudos ou na vida social, muitas pessoas sentem que precisam responder rapidamente a tudo, o que dificulta a criação de limites saudáveis.

Para reduzir o problema, algumas medidas simples podem ajudar. Desativar notificações desnecessárias, deixar o celular longe durante refeições, evitar o uso antes de dormir, criar períodos sem tela e retomar atividades offline são atitudes importantes.

Também vale estabelecer espaços livres de celular dentro de casa, como quarto, mesa de jantar ou momentos de descanso. O objetivo não é abandonar a tecnologia, mas recuperar o controle sobre o uso.

Quando a ansiedade se torna intensa, prejudica o sono, afeta relações ou interfere nas tarefas do dia a dia, a recomendação é buscar ajuda profissional.

Em alguns casos, terapias como a cognitivo-comportamental podem auxiliar a pessoa a reorganizar hábitos e reduzir a dependência emocional do aparelho.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

Publicidade

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.