Não é só o que você come: limitar o horário das refeições pode ajudar a preservar a memória, aponta estudo

Entre mudanças na rotina e novos hábitos, o horário de cada refeição começa a ganhar espaço nas pesquisas sobre envelhecimento saudável

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Não é só o que você come: limitar o horário das refeições pode ajudar a preservar a memória, aponta estudo
(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O relógio pode ter um papel maior na alimentação do que se imaginava. Além da qualidade e da quantidade dos alimentos, o período do dia em que as refeições acontecem entrou no foco de pesquisadores que investigam o envelhecimento cerebral.

Um ensaio clínico conduzido pela Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, acompanhou 47 mulheres de 50 a 79 anos com sobrepeso ou obesidade. Durante seis meses, todas reduziram cerca de 500 calorias por dia, mas apenas parte delas concentrou a alimentação em uma janela diária de oito a nove horas.

Resultado apareceu mesmo com perda de peso semelhante

As participantes que restringiram o horário das refeições comeram, em média, durante 8,2 horas por dia, geralmente entre 10h e 18h. O outro grupo manteve uma janela próxima de 12 horas.

Ao fim do acompanhamento, os dois grupos perderam cerca de 6,8 kg. No entanto, quem seguiu a janela menor apresentou melhora significativa em testes de planejamento espacial e resolução de problemas.

O trabalho foi publicado no periódico Current Developments in Nutrition e apresentado no congresso NUTRITION 2026, da Sociedade Americana de Nutrição.

Nos testes de memória e aprendizagem, houve tendência de menos erros entre as participantes da alimentação com horário restrito. Essa diferença, porém, não alcançou significância estatística. Também não foram observados ganhos relevantes em tarefas de reação ou execução simultânea.

Por que o horário pode influenciar o cérebro?

Os pesquisadores avaliam que a explicação pode envolver o alinhamento das refeições ao ritmo circadiano, responsável por regular sono, metabolismo e liberação hormonal. Também serão investigadas possíveis relações com controle da glicose, inflamação e mecanismos celulares de percepção de nutrientes.

Ainda assim, o estudo é pequeno, inclui apenas mulheres com excesso de peso e apresenta resultados preliminares. Portanto, não permite afirmar que uma janela alimentar curta previna demência ou preserve a memória em toda a população.

Evidência ainda precisa avançar

O Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos ressalta que padrões alimentares saudáveis estão associados a benefícios cognitivos. No entanto, ainda faltam provas de que uma dieta específica previna o Alzheimer.

A Organização Mundial da Saúde também aponta que hábitos saudáveis e o controle de fatores metabólicos podem reduzir o risco de declínio cognitivo, mas não indica o horário das refeições como estratégia isolada.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias