Cardiologista faz alerta sobre caso de mulher que teve parada cardiorrespiratória na Bluefit, em Anápolis

Profissional contou ao Portal 6 quais exames podem garantir segurança antes de começar atividades físicas e quais sintomas acendem alerta vermelho

Natália Sezil Natália Sezil -
Justiça define que famosa rede de academias terá de pagar indenização cara após episódios de preconceito. cardiologista
Imagem ilustrativa de pesos de academia. (Foto: Reprodução/Pexels)

Musculação, partidas esportivas ou apenas caminhada – são várias as opções que surgem quando se fala de atividades físicas. Muitas vezes incentivadas, é certo dizer que elas ainda não chegaram a toda a população.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais sedentário da América Latina, o quinto no ranking mundial.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 47% da população entra nesse número. Entre os jovens, de 18 a 29 anos, 84% são sedentários.

Por isso, casos como o de Jenekely Morais Santos, que morreu aos 42 anos após sofrer uma parada cardiorrespiratória enquanto treinava em uma academia de Anápolis, chamam tanta atenção.

A situação acendeu alertas sobre a prática segura de atividades físicas e sobre quais sinais podem indicar que é necessário tomar maiores cuidados antes de começar a se exercitar.

O cardiologista Reno Caltabiano esclareceu ao Portal 6 que toda atividade física é segura, mas é preciso ter em mente que o exercício precisa ser individualizado, dependendo de caso para caso.

Especializado pela Universidade de São Paulo (USP) e atuando no Ânima Centro Hospitalar e na Clínica Radiológica de Anápolis (CRA), o profissional detalha que alguns fatores aumentam a necessidade de exames de aptidão.

Reno Caltabiano é cardiologista no Ânima Centro Hospitalar e na Clínica Radiológica de Anápolis.

Reno Caltabiano é cardiologista no Ânima Centro Hospitalar e na Clínica Radiológica de Anápolis. (Foto: Arquivo pessoal)

“A avaliação pré-participação de qualquer tipo de atividade física depende muito do perfil da pessoa e também da intensidade. Idade, quanto tempo de sedentarismo, risco cardiovascular”, exemplifica.

Histórico pessoal ou familiar também precisam ser analisados. Dor no peito, sensação de desconforto, batedeira, pré-desmaio, sensação de desmaio ou palpitações são sinais importantes que devem ser levados ao consultório.

Da mesma forma, pacientes que têm parentes de primeiro grau (pai, mãe ou irmãos) que sofreram algum evento cardiovascular ou cerebrovascular – como artérias entupidas – antes dos 60 anos também precisam estar mais alertas.

Além disso, comorbidades, diabetes e hipertensão somam à lista que incentiva a realização de exames de aptidão. No caso das doenças do coração, ainda pesam o estresse e a ansiedade.

Pacientes que têm mobilidade muito baixa, por questões de obesidade, artrite ou artrose, por exemplo, são indicados a buscar atividades leves e com menos impacto, como hidroginástica ou pilates.

Por onde começar?

Para pessoas sedentárias que querem iniciar uma rotina de exercícios, o cardiologista deixa algumas sugestões.

“Aquele paciente jovem que quer começar uma atividade física mais segura, o ideal é uma academia, que você não aumenta tanto a frequência cardíaca e tem maior queima de gordura”, aponta. Mas avisa: “sempre com um profissional de saúde do lado”.

Reno explica que acompanhamento é essencial, seja de um educador físico ou de um preparador. Ao buscar academias, também orienta que os pacientes se atentem à estrutura, como se o local conta com desfibrilador, para casos de primeiros socorros.

Também detalha que caminhar já é um bom começo. “Uma pessoa que dá 10 mil passos por dia já não é mais sedentária, ela é ativa. Então diminui esse risco cardiovascular a longo prazo”.

O cardiologista do Ânima pontua que mudanças pequenas no cotidiano podem gerar diferenças importantes – sempre estando atento às condições individuais de cada um.

Ir a lugares próximos caminhando, em vez de usar um carro, ou subir alguns lances de escadas, em vez de optar pelo elevador, entram na lista.

“Você tem que pensar quem vai ser daqui para frente, em dez, cinco anos”, lembra. “Melhorar o estilo de vida hoje significa melhorar o tempo de vida quando você for mais idoso”.

Outros cuidados

Alguns outros cuidados são importantes para manter a saúde. Controle de peso e uma alimentação balanceada fazem parte da lista. Excesso de carboidratos e glicose podem ser prejudiciais porque causam colesterol alto e diabetes.

Reno recomenda a adição de verduras, legumes e frutas na dieta, e a substituição de refrigerante por água e sucos naturais, especialmente os que são feitos das próprias frutas e sem açúcar.

Abandonar hábitos de tabagismo e alcoolismo também tem relação direta com insuficiência cardíaca, aumento de coração fraco, arritmias e infartos a longo prazo.

O médico ainda esclarece uma recomendação comum: a de que tomar vinho faz bem ao coração. “O vinho não tem tanto álcool. Ele é protetor cardiovascular, mas é difícil a gente ter um controle do paciente em relação a isso. Vai tomar meia taça, por exemplo, toma uma garrafa”.

Apesar dos alertas, Reno deixa claro: “o exercício é extremamente benéfico para nossa vida. Ele deve sempre ser incentivado”. E destaca: “todo mundo conhece o próprio corpo. Qualquer tipo de sintoma, não tenha vergonha de vir ao médico”.

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Natália Sezil

Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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