Nome do gerente da Vigilância Sanitária que atuou em caso de possível radiação em Anápolis chama atenção

Além de acompanhar a ocorrência que mobilizou autoridades na cidade, servidor compartilhou uma história pessoal que costuma surpreender quem o conhece pela primeira vez

Lara Duarte -
Responsável pela ação da Vigilância Sanitária em Anápolis, servidor falou ao Portal 6 sobre a coincidência envolvendo seu nome e destacou o trabalho preventivo realizado no caso do equipamento encontrado em um ferro-velho. (Foto: Reprodução Portal 6/Captura de tela/Instagram)
Responsável pela ação da Vigilância Sanitária em Anápolis, servidor falou ao Portal 6 sobre a coincidência envolvendo seu nome e destacou o trabalho preventivo realizado no caso do equipamento encontrado em um ferro-velho. (Foto: Reprodução Portal 6/Captura de tela/Instagram)

A operação que mobilizou autoridades em Anápolis após a descoberta de equipamentos militares com possível risco radiológico em um ferro-velho da cidade acabou revelando uma coincidência curiosa que chamou a atenção até mesmo entre os envolvidos na ocorrência.

Entre os agentes da Vigilância Sanitária que participaram da vistoria no estabelecimento, localizado no Setor Sul Jamil Miguel, estava o gerente do órgão em Anápolis, Césio Malaquias.

Em entrevista ao Portal 6, o servidor contou que a curiosidade em torno do nome o acompanha desde a infância, mas explicou que a escolha feita pelo pai aconteceu anos antes do acidente com o Césio-137, em Goiânia.

“Muita gente pergunta se tem relação com o acidente, mas não. Eu nasci em 1980, bem antes. Meu pai precisava de um nome para escrever e criou alguns nomes aleatórios. Depois, olhando a tabela periódica, o nome ficou gravado na cabeça dele e acabou escolhendo porque achou que soava bem”, relembrou.

Natural de Goiânia, Césio disse que voltou a ouvir perguntas sobre o assunto com mais frequência após o lançamento da série da Netflix sobre o acidente radiológico de 1987 e, mais recentemente, por causa da ocorrência registrada em Anápolis.

“Depois que saiu a série, muita gente voltou a ficar curiosa. Perguntam se meu nome foi por causa do fato, se eu nasci antes ou depois, mas não tem nada a ver. Hoje trato isso com a maior naturalidade”, afirmou.

Ele também recorda que era criança quando ocorreu a tragédia e não tinha dimensão da gravidade do episódio, mas se lembra da repercussão nacional e do impacto causado em Goiás.

“Eu era criança e não tinha noção da proporção do que estava acontecendo. Mas lembro da movimentação na cidade e de como aquilo marcou muita gente. Hoje, sempre que surge algum assunto parecido, essas lembranças voltam para as pessoas”, disse.

Para Césio, uma das coincidências mais curiosas é justamente estar à frente da Vigilância Sanitária em um período em que o acidente com o Césio-137 voltou a ganhar repercussão nacional, impulsionado pela série lançada pela Netflix e pelo episódio recente envolvendo suspeitas de materiais radioativos em Anápolis.

“É interessante mesmo, o destino transcorrido disso tudo, né? Eu estar a frente da chefia dentro da repartição, bem quando lançam esse filme e ele dá uma reprodução não só no nível nacional, mas internacional {…}. Não só o fato de ontem, mas há algumas semanas atrás, aconteceu algo muito parecido, então são coisas que vem trazendo esses lembranças”, salienta.

Apesar de ser formado em fisioterapia, Césio acabou seguindo outro caminho profissional e atualmente está à frente da Vigilância Sanitária de Anápolis. Segundo ele, nem mesmo imaginava que um dia trabalharia justamente em uma área relacionada à fiscalização e segurança sanitária.

“A vida acabou me trazendo para esse caminho. Hoje estou bem focado nessa carreira e trato essas coincidências com tranquilidade”, concluiu.

Trabalho de prevenção

À frente da Vigilância Sanitária de Anápolis, Césio Malaquias destacou que a atuação do órgão vai muito além das fiscalizações e interdições, sendo baseada principalmente na prevenção e na avaliação de riscos à população.

Segundo ele, situações como a registrada no ferro-velho exigem a atuação conjunta de diversos órgãos para garantir segurança antes da divulgação de qualquer informação.

“A Vigilância Sanitária trabalha hoje focada em prevenção. A gente trabalha em cima de critérios de risco para alcançar aquilo que é mais complexo”, explicou.

Césio também afirmou que a população nem sempre conhece a dimensão do trabalho desenvolvido pelo órgão, que atua diariamente na proteção da saúde pública.

“Muitas vezes as pessoas têm uma visão um pouco distorcida do nosso trabalho, mas nós somos um órgão de segurança do consumidor e do paciente. Nosso alcance não é de 100% das atividades e serviços prestados, então precisamos atuar em cima dos riscos para chegar naquilo que é mais crítico”, destacou.

Segundo ele, em ocorrências como a desta semana, a prioridade é agir com cautela e só divulgar informações após a confirmação técnica dos fatos.

Entenda o caso

A suspeita começou após uma denúncia sobre equipamentos de raio-X descartados de forma irregular em um ferro-velho de Anápolis na tarde desta quinta-feira (19).

A ocorrência mobilizou equipes da Vigilância Sanitária, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil e técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

No local, foram encontradas quatro caixas contendo equipamentos portáteis de raio-X de origem norte-americana, utilizados em aplicações militares e fabricados, possivelmente, na década de 1960.

Após análises realizadas por especialistas da CNEN, foi constatado que os níveis de radiação estavam dentro dos padrões de segurança e não havia risco para a população.

Os técnicos ainda informaram que os aparelhos estavam armazenados no local há cerca de dez anos e continham componentes radioativos que exigem destinação adequada.

Por isso, o material será recolhido e encaminhado para descarte especializado, sob acompanhamento dos órgãos competentes.

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Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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