Máquina que usa cola no lugar do cimento ergue parede mais rápido que seis trabalhadores e promete acelerar a construção de moradias populares
Robô WLTR automatiza o assentamento de tijolos, reduz esforço físico nos canteiros e surge como alternativa diante da falta de mão de obra na construção civil

A construção civil começa a viver uma transformação que até pouco tempo parecia distante dos canteiros de obras. No Reino Unido, uma máquina inteligente chamada WLTR, pronunciada como Walter, ganhou destaque por executar uma das tarefas mais tradicionais do setor: levantar paredes de tijolo.
O equipamento foi desenvolvido para assentar blocos com alta precisão, usando uma cola especial no lugar da massa de cimento convencional. Com isso, consegue realizar em uma hora o trabalho equivalente ao de cinco pedreiros e um ajudante, sempre sob supervisão de apenas um operador humano.
A tecnologia surge em um momento estratégico. O Reino Unido enfrenta falta de profissionais qualificados na construção civil e, ao mesmo tempo, tenta acelerar projetos habitacionais para reduzir o déficit de moradias.
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Como funciona o robô pedreiro
O WLTR trabalha a partir de projetos arquitetônicos carregados em seu sistema. Depois que a primeira camada da parede está nivelada, a máquina aplica o adesivo, posiciona os tijolos e mantém o alinhamento com margem de erro de poucos milímetros.
Além disso, o equipamento dispensa andaimes em algumas etapas e pode operar sob diferentes condições climáticas. Dessa forma, reduz interrupções comuns em obras tradicionais, especialmente em períodos de chuva, frio ou vento intenso.
Outro ponto que chama atenção é o uso da cola especial. A substituição do cimento busca diminuir o impacto ambiental da construção, já que a produção de cimento responde por uma parcela relevante das emissões globais de dióxido de carbono.
O que muda nos canteiros
A proposta não elimina totalmente a presença humana, mas muda a função dos trabalhadores. Em vez de executar tarefas repetitivas e pesadas, o profissional passa a supervisionar, abastecer e controlar a operação da máquina.
Por isso, a tecnologia também pode atrair jovens para o setor, já que a interface de controle se aproxima de sistemas digitais e reduz o esforço braçal.
Ainda assim, especialistas apontam que a adoção em larga escala dependerá de custo, adaptação às normas locais e aceitação das construtoras. Afinal, cada obra tem características próprias, e a automação precisa funcionar em ambientes muitas vezes irregulares e imprevisíveis.
Mesmo com esses desafios, o WLTR mostra como a robótica começa a ocupar espaço em um setor historicamente dependente de processos manuais.
Se a tecnologia cumprir o que promete, poderá acelerar a construção de moradias populares, reduzir desperdícios e abrir uma nova fase para obras mais rápidas, precisas e sustentáveis.
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