No interior do Brasil, José Sirval ainda mantém um moinho movido a água que mói 125 quilos de milho por dia e ainda usa o monjolo centenário do bisavô

Em cidade mineira, estrutura movida pela força da água preserva técnica antiga e mantém viva a produção artesanal de fubá

Gabriel Dias Gabriel Dias -
No interior do Brasil, José Sirval ainda mantém um moinho movido a água que mói 125 quilos de milho por dia e ainda usa o monjolo centenário do bisavô
(Foto: Reprodução)

Em um tempo marcado por máquinas elétricas e processos cada vez mais automáticos, José Sirval mantém viva uma tradição que atravessou gerações. Em Senador José Bento, no Sul de Minas Gerais, ele toca um moinho movido pela força da água e ainda preserva um monjolo centenário herdado do bisavô.

A estrutura chama atenção pela simplicidade e pela eficiência. Segundo a Tribuna Popular, do Brejo Mineiro, o moinho chega a moer cerca de 125 quilos de milho por dia, sem depender da energia elétrica da rede.

O resultado é o fubá artesanal, feito no ritmo da água e das pedras de moagem. Mais do que uma produção rural, o trabalho preserva um modo de vida que já foi comum em muitas propriedades do interior brasileiro.

Como funciona o moinho

O princípio do moinho d’água é antigo. A correnteza é conduzida até uma roda, que gira com a força da água e movimenta o sistema responsável por triturar os grãos.

No caso do milho, o alimento passa entre pedras de moagem até ser transformado em farinha ou fubá. O processo é mais lento do que o industrial, mas preserva a característica artesanal do produto.

Ao lado do moinho, o monjolo centenário segue em funcionamento. A peça funciona como um pilão movido a água: uma extremidade recebe o peso da correnteza, enquanto a outra levanta e desce para socar os grãos.

No interior do Brasil, José Sirval ainda mantém um moinho movido a água que mói 125 quilos de milho por dia e ainda usa o monjolo centenário do bisavô

(Imagem: Captura de tela/YouTube/Portal Bnu)

Memória de família

O monjolo usado por José Sirval pertenceu ao bisavô dele e tem mais de 100 anos. Por isso, o equipamento carrega valor que vai além da produção.

Manter a peça ativa é também uma forma de preservar a memória da família e o conhecimento rural que, muitas vezes, não está registrado em livros ou manuais.

Com a chegada da energia elétrica e da produção industrial, moinhos e monjolos foram desaparecendo das propriedades. Muitos foram abandonados, enquanto outros viraram apenas lembrança.

No caso de José Sirval, a escolha foi diferente. Ele decidiu continuar usando a água como força de trabalho e manter o engenho em movimento.

A história mostra que nem toda tecnologia importante precisa ser nova. Às vezes, ela apenas precisa continuar girando para lembrar que tradição, sustentabilidade e produção artesanal ainda podem caminhar juntas.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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