Quem está na maca nunca está sozinho
Cuidar de pessoas é cuidar também de quem espera por elas

Quem trabalha na saúde aprende cedo que, por trás de um diagnóstico, existe sempre uma família inteira. Um pai me escreveu nessa madrugada, clamando ajuda para o filho.
Uma criança com fratura de fêmur, com necessidade de cirurgia. Mais do que a dor da fratura, o que machucava era a angústia da espera. A criança já foi transferida e operada no mesmo dia.
O alívio estampado no rosto dos pais lembrou uma verdade que nenhum protocolo consegue medir: cuidar de pessoas é cuidar também de quem espera por elas.
A saúde pública será sempre um enorme desafio. Recursos são limitados, a demanda cresce diariamente e nenhuma gestão consegue eliminar todos os problemas. Mas existe uma diferença importante entre um sistema que apenas administra filas e outro que busca resolvê-las.
Quando profissionais comprometidos, equipes bem coordenadas e gestores conscientes trabalham na mesma direção, a população percebe. Não porque tudo se torna perfeito, mas porque as soluções começam a chegar.
Talvez seja essa a principal missão de qualquer serviço público: devolver esperança sem criar ilusões.
Nós profissionais da saúde, temos que enxergar além da doença. Temos que ver a dignidade de quem sofre. Infelizmente, nem sempre conseguiremos. No fim das contas, hospitais não são lembrados apenas pelas cirurgias que realizam, mas pela forma como tratam as pessoas nos momentos mais difíceis de suas vidas.
Essa confiança, construída em cada atendimento, que vai fortalecer uma cidade inteira.
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