Humanos não foram feitos para correr, mas para sentar, segundo professor de Harvard

Nova interpretação científica desafia crenças populares sobre hábitos cotidianos mantidos durante gerações por milhões de pessoas

Magno Oliver Magno Oliver -
Humanos não foram feitos para correr, mas para sentar, segundo professor de Harvard
(Foto: Reprodução)

A ideia de que os seres humanos nasceram para praticar exercícios físicos regularmente é questionada pelo biólogo evolucionista Daniel E. Lieberman, professor da Universidade Harvard.

No livro Exercício: Por que algo para o qual nunca evoluímos é saudável e recompensador (Exercised: Why Something We Never Evolved to Do Is Healthy and Rewarding), o pesquisador afirma que o corpo humano não evoluiu para realizar exercícios planejados apenas com o objetivo de melhorar a saúde.

Segundo ele, nossos ancestrais se movimentavam porque precisavam caçar, coletar alimentos, construir abrigo e sobreviver, e não porque seguiam uma rotina de treinamento.

Lieberman é professor de Biologia Evolutiva Humana em Harvard e há décadas pesquisa como a evolução moldou o corpo humano.

Para chegar às conclusões apresentadas no livro, ele reuniu estudos científicos, evidências da antropologia e observações de populações tradicionais, como grupos de caçadores-coletores.

A análise mostrou que essas comunidades permanecem sentadas por várias horas ao longo do dia, mas interrompem esse período frequentemente para caminhar, carregar objetos, cavar, subir terrenos e realizar outras atividades físicas necessárias à sobrevivência.

O que a evolução explica?

Segundo o pesquisador, a evolução favoreceu pessoas que economizavam energia sempre que possível. Em ambientes onde alimento era escasso, gastar calorias sem necessidade poderia representar uma desvantagem para a sobrevivência.

Por isso, o impulso natural de descansar quando não há uma tarefa urgente não seria um sinal de preguiça, mas uma característica desenvolvida ao longo de milhares de anos. Isso não significa, porém, que correr ou praticar exercícios faça mal.

A principal diferença, segundo Lieberman, é que o conceito moderno de exercício, realizado exclusivamente para manter a saúde, é relativamente recente na história da humanidade.

Sentar não é o problema

Outro ponto defendido pelo autor é que sentar, por si só, não deve ser tratado como um comportamento antinatural. Ele argumenta que os seres humanos sempre se sentaram para descansar, conversar, produzir ferramentas e realizar outras atividades.

O problema surge quando o tempo sentado é prolongado e ocorre sem interrupções durante grande parte do dia. A recomendação é alternar períodos de descanso com caminhadas e outros movimentos frequentes, mantendo o corpo ativo ao longo da rotina.

Apesar de desafiar algumas ideias populares, Daniel Lieberman não afirma que as pessoas devam abandonar os exercícios físicos.

Pelo contrário, ele reforça que a atividade física continua sendo uma das formas mais eficazes de reduzir o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e outros problemas de saúde.

A mensagem central do livro é que compreender como a evolução moldou o comportamento humano pode ajudar a criar estratégias mais realistas para incorporar movimento ao dia a dia, sem culpa e respeitando a forma como nosso corpo foi desenvolvido ao longo da história.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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