Emmanuel Stamatakis, pesquisador da Universidade de Sydney: “O segredo está em como o sono, os exercícios e a comida trabalham juntos. Dormir 5 minutos a mais, fazer 2 minutos de atividade física e comer meia porção de verdura por dia já garantem um ano a mais de vida”

Estudo com dados do UK Biobank indica que pequenas mudanças combinadas na rotina podem ter impacto relevante na expectativa de vida

Gustavo de Souza -
Emmanuel Stamatakis, pesquisador da Universidade de Sydney: “O segredo está em como o sono, os exercícios e a comida trabalham juntos. Dormir 5 minutos a mais, fazer 2 minutos de atividade física e comer meia porção de verdura por dia já garantem um ano a mais de vida”
(Foto: Reprodução)

Aumentar os anos de vida pode depender menos de grandes viradas na rotina e mais da soma de pequenos ajustes diários. Essa é a principal conclusão de um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Sydney, com participação de Emmanuel Stamatakis.

A pesquisa analisou dados de 59.078 adultos do UK Biobank. O trabalho observou, de forma combinada, sono, atividade física moderada a vigorosa e qualidade da alimentação.

O objetivo era entender quanto seria necessário mudar nesses três pontos para obter ganhos relevantes na expectativa de vida e nos anos vividos sem doenças crônicas.

Pequenas mudanças, efeito combinado

Segundo o estudo, o ganho não aparece apenas quando alguém muda radicalmente a rotina. A associação mais chamativa envolve alterações consideradas modestas.

Em comparação com o grupo de referência, dormir 5 minutos a mais por dia, fazer 1,9 minuto extra de atividade física moderada a vigorosa e melhorar a dieta em 5 pontos no índice usado pelos pesquisadores foi associado a quase 1 ano a mais de vida.

Na prática, essa melhora alimentar poderia ser alcançada com cerca de meia porção adicional de verduras por dia ou 1,5 porção de grãos integrais.

Mais anos com saúde

O estudo também analisou o chamado healthspan, ou seja, o tempo vivido sem doenças como problemas cardiovasculares, câncer, diabetes tipo 2, demência e doença pulmonar obstrutiva crônica.

Para ganhos mais claros nesse indicador, a combinação exigiu mudanças maiores: 24 minutos adicionais de sono, 3,7 minutos de atividade física e melhora mais expressiva na alimentação foram associados a cerca de 4 anos a mais livres dessas doenças.

Os autores destacam que sono, exercício e comida não devem ser vistos como fatores isolados. Quando melhorados juntos, mesmo em doses pequenas, eles podem representar uma estratégia mais viável para a saúde da população.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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