Aos 14 anos, ele transformou cascas de mandioca e galhos jogados fora em um material capaz de manter mudas vivas no deserto, criando uma solução barata contra o avanço da areia

Invenção aproveita a diferença de temperatura entre o solo e o ambiente para condensar umidade e irrigar árvores sem eletricidade

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
adolescente cria sistema de irrigação
(Foto: Reprodução)

Uma observação simples dentro da cozinha levou um adolescente chinês de 14 anos a desenvolver uma solução capaz de ajudar mudas a sobreviver em regiões secas.

Jia Mingxuan, morador de Chifeng, na Mongólia Interior, criou um sistema que capta a umidade presente no ar, transforma o vapor em pequenas gotas e conduz a água diretamente até as raízes das árvores.

Além disso, o equipamento funciona sem bombas, eletricidade ou ligação com reservatórios externos. O projeto utiliza tubos de aço, garrafas plásticas reutilizadas e a circulação natural do vento.

Ideia surgiu dentro de casa

A inspiração apareceu quando Jia observou o vapor se transformar em gotas sobre uma superfície fria da cozinha.

A partir disso, ele começou a pensar em uma forma de aplicar o mesmo princípio em áreas ameaçadas pela desertificação.

Então, o estudante projetou um tubo parcialmente enterrado no solo. Enquanto a parte superior recebe o ar levado pelo vento, a região subterrânea permanece mais fria.

Consequentemente, a diferença de temperatura favorece a condensação da umidade dentro do equipamento.

Água segue diretamente para as raízes

Depois de condensar, a água escorre pelo interior do tubo e chega à base da muda.

Dessa forma, o sistema reduz o desperdício e oferece pequenas quantidades de umidade justamente onde a árvore mais precisa.

Jia percorreu cerca de 30 quilômetros diversas vezes para testar os protótipos, verificar a umidade acumulada e fazer ajustes no desenho. Em alguns testes, ele precisou desenterrar o tubo instalado a aproximadamente dois metros de profundidade.

Projeto recebeu reconhecimento internacional

A invenção conquistou o principal prêmio da Exposição Internacional de Invenções de Nuremberg, na Alemanha.

Além disso, especialistas em combate à desertificação passaram a enxergar o projeto como uma possível ferramenta complementar para regiões onde a irrigação tradicional custa caro ou exige estruturas difíceis de instalar.

A proposta não “fabrica” água em grande escala. Na prática, ela aproveita a umidade já presente no ar e produz volume suficiente para ajudar mudas durante os primeiros estágios do crescimento.

Solução pode ajudar no reflorestamento

A região de Chifeng integra os esforços chineses de combate ao avanço da desertificação.

Por isso, aumentar a sobrevivência das mudas pode ser tão importante quanto ampliar o número de árvores plantadas.

Atualmente, Jia trabalha com pesquisadores para aprimorar o equipamento, testar outros materiais e avaliar a possibilidade de produção em maior escala.

Assim, uma ideia criada por um estudante pode se transformar em uma alternativa de baixo custo para projetos de reflorestamento em áreas secas da China e de outros países.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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