Adeus, conexões: avião comercial capaz de cruzar o mundo sem uma única escala já está em fase de testes

Projeto de avião da Qantas avança na Europa e prepara uma nova geração de viagens mais longas entre países da América, Europa e Oceania

Gustavo de Souza -
Adeus, conexões: avião comercial capaz de cruzar o mundo sem uma única escala já está em fase de testes
(Foto: Paulo Roberto Belém)

Passar quase um dia inteiro dentro de um avião pode se tornar parte da rotina de quem viaja entre a Austrália, a Europa e os Estados Unidos. A Airbus iniciou os testes do A350-1000ULR, modelo desenvolvido para operar algumas das rotas comerciais mais longas já planejadas.

A aeronave faz parte do Project Sunrise, da companhia australiana Qantas. A proposta é ligar Sydney diretamente a Londres e Nova York, eliminando as conexões que hoje aumentam o tempo total das viagens.

O primeiro voo de teste ocorreu em 2 de junho, em Toulouse, na França. Segundo a Airbus, o avião permaneceu no ar por 3h43 e ultrapassou 41 mil pés de altitude durante as avaliações iniciais.

Tanque adicional amplia o alcance

A principal diferença em relação ao A350-1000 convencional está no sistema de combustível. O modelo recebeu um tanque central traseiro capaz de armazenar 20 mil litros adicionais.

Com a modificação, o avião foi projetado para cumprir trajetos próximos de 18,5 mil quilômetros e permanecer até 22 horas no ar. Esses números, no entanto, ainda dependem da conclusão dos testes e da certificação aeronáutica.

A campanha deve reunir aproximadamente 80 horas de voos ao longo de dois meses. Os ensaios incluem verificações no sistema de combustível, na ventilação e no controle de temperatura da cabine, além da refrigeração das cozinhas de bordo.

Estreia está prevista para 2027

As mudanças precisam ser aprovadas pela Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação antes da entrada em serviço. Depois dessa etapa, o avião usado nos testes será convertido para a configuração comercial da Qantas.

A companhia encomendou 12 unidades, cada uma com 238 lugares distribuídos em quatro classes. Os aviões também terão uma área destinada a alongamentos durante os trajetos mais longos.

A primeira entrega está prevista para abril de 2027. Já a ligação direta entre Sydney e Londres deve começar em outubro do mesmo ano, com redução estimada de até quatro horas em comparação com a viagem atual, que exige parada.

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Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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