Aos 17 anos, jovem brasileira transforma caroço de açaí que iria para o lixo em tijolo de construção e já venceu mais de 25 prêmios com a ideia

Uma observação cotidiana despertou pesquisa capaz de ganhar reconhecimento muito além das fronteiras nacionais

Magno Oliver Magno Oliver -
Aos 17 anos, jovem brasileira transforma caroço de açaí que iria para o lixo em tijolo de construção e já venceu mais de 25 prêmios com a ideia
(Foto: Reprodução)

A paraense Francielly Rodrigues Barbosa chamou a atenção do meio científico ao desenvolver, ainda na adolescência, uma pesquisa que reaproveita caroços de açaí carbonizados na produção de um material experimental para construção civil.

Natural de Moju, no nordeste do Pará, ela iniciou o projeto aos 16 anos após observar rachaduras em casas de sua cidade. Aos 17, a pesquisa já ganhava destaque em feiras de ciência e, posteriormente, acumulou mais de 25 premiações nacionais e internacionais.

A proposta une sustentabilidade e melhoria habitacional ao transformar um resíduo abundante da cadeia produtiva do açaí em matéria-prima para um composto produzido com argila.

Em vez de tratar o caroço da fruta apenas como descarte, Francielly investigou seu potencial para integrar um material com possibilidade de aplicação na construção civil. A pesquisa surgiu dentro do ambiente escolar e evoluiu para um projeto reconhecido por instituições ligadas à inovação e ao desenvolvimento científico.

Aos 17 anos, jovem brasileira transforma caroço de açaí que iria para o lixo em tijolo de construção e já venceu mais de 25 prêmios com a ideia

(Foto: Reprodução)

Pesquisa ganhou reconhecimento internacional

O avanço do estudo levou a jovem à Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), considerada a principal competição estudantil de pesquisa científica do país.

A repercussão abriu portas para apresentações em ambientes internacionais de inovação, incluindo um laboratório promovido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) em parceria com a Universidade Harvard.

O trabalho também rendeu publicações científicas e consolidou Francielly como um dos destaques da nova geração de pesquisadores brasileiros, reconhecimento reforçado por sua inclusão na lista Under 30 da revista Forbes Brasil na categoria Ciência e Educação, em 2024.

Solução valoriza a bioeconomia amazônica

Aos 17 anos, jovem brasileira transforma caroço de açaí que iria para o lixo em tijolo de construção e já venceu mais de 25 prêmios com a ideia

(Foto: Reprodução)

Além do reconhecimento acadêmico, o projeto reforça o potencial da bioeconomia na Amazônia ao propor o aproveitamento de resíduos produzidos em grande escala na região.

O caroço de açaí, normalmente descartado após a retirada da polpa, passa a ser utilizado em uma pesquisa voltada à criação de alternativas sustentáveis para problemas locais, aproximando ciência, preservação ambiental e desenvolvimento regional.

Atualmente, Francielly cursa Engenharia de Produção na Universidade Federal do Pará e afirma que seu objetivo é contribuir para transformar Moju em um polo de pesquisa e inovação.

Embora o material desenvolvido tenha despertado interesse por seu potencial ambiental e social, a iniciativa ainda é tratada como uma pesquisa científica em fase experimental, sem produção comercial em larga escala ou aplicação estrutural consolidada.

Ainda assim, a trajetória da jovem pesquisadora demonstra como a ciência desenvolvida a partir de necessidades da própria comunidade pode gerar soluções inovadoras, incentivar o reaproveitamento de resíduos e projetar talentos brasileiros para importantes espaços de pesquisa no país e no exterior.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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