Adeus, cadernos escolares: nova tecnologia que dispensa o uso de papel vira tendência nas escolas, segundo professores
Tablets com caneta digital permitem escrever, organizar matérias e acessar conteúdos, mas ainda não representam o fim definitivo do material impresso

Cadernos, folhas soltas e apostilas começam a dividir espaço com uma nova ferramenta dentro das salas de aula. Conhecidos como cadernos digitais, tablets acompanhados de caneta eletrônica permitem que estudantes façam anotações, resolvam exercícios e armazenem diferentes disciplinas em um único aparelho.
A adoção acompanha o avanço dos recursos educacionais digitais e dos programas de conectividade nas escolas. No Brasil, o Ministério da Educação prevê o uso pedagógico de computadores, notebooks e tablets para tornar as atividades mais interativas e ampliar o acesso a conteúdos.
Apesar da expansão, a novidade ainda não significa o desaparecimento imediato do papel. Professores e especialistas defendem que a tecnologia seja usada com planejamento e combinada a métodos tradicionais quando necessário.
Como funcionam os cadernos digitais
O caderno digital pode ser um tablet comum equipado com caneta sensível ao toque ou um dispositivo criado especificamente para leitura e escrita.
Nele, o estudante consegue criar um arquivo para cada matéria, escrever à mão, apagar trechos, destacar partes importantes e inserir imagens. Algumas plataformas também transformam a caligrafia em texto digitado e permitem pesquisar palavras dentro das anotações.
Além disso, todo o conteúdo pode ser salvo na nuvem. Dessa forma, diminui o risco de perder atividades e o aluno consegue acessar o material em outros dispositivos.
Por que a tecnologia chama atenção
Um dos principais atrativos é a redução do volume transportado diariamente. Em vez de carregar vários cadernos, livros e apostilas, o estudante concentra os materiais em um único equipamento.
O professor também pode compartilhar exercícios, apresentações, vídeos e correções diretamente pela plataforma adotada pela escola. Assim, as atividades podem ser atualizadas sem a necessidade de imprimir novas folhas.
Os recursos digitais ainda permitem ampliar imagens, usar áudio, acessar simulações e adaptar o tamanho das letras. Essas funções podem favorecer estudantes com diferentes necessidades de aprendizagem.
A OCDE ressalta, porém, que o acesso ao equipamento, sozinho, não garante melhor desempenho. Os resultados dependem da forma como a tecnologia é integrada às aulas e da preparação dos professores.
Uso precisa seguir regras
Desde 2025, a legislação brasileira restringe o uso de celulares e outros aparelhos eletrônicos pessoais nas escolas. Entretanto, os dispositivos continuam permitidos quando utilizados com finalidade pedagógica e sob orientação dos profissionais da educação.
Por isso, o caderno digital não deve ser confundido com o uso livre de celular durante a aula. A escola precisa definir horários, aplicativos autorizados e formas de evitar distrações.
Também entram nessa discussão a proteção dos dados dos alunos, o acesso à internet e o controle de conteúdos inadequados.
Papel ainda pode continuar nas salas
O preço dos aparelhos é uma das principais limitações. Além do investimento inicial, escolas e famílias precisam considerar manutenção, bateria, conexão e eventual substituição do equipamento.
Há ainda alunos que apresentam melhor concentração ou memorização quando escrevem no papel. Por esse motivo, a Unesco recomenda que a tecnologia complemente a interação com os professores e seja adotada com base em evidências, equidade e real necessidade pedagógica.
Assim, os cadernos digitais ganham espaço como alternativa às pilhas de material escolar. No entanto, a tendência mais provável é a convivência entre telas e papel, em vez da substituição completa dos cadernos tradicionais.
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