O novo medicamento para artrite reumatoide e outras doenças aprovado pela Anvisa
Aprovação amplia alternativas terapêuticas para pacientes enfrentarem desafios clínicos complexos com mais segurança disponível

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Kineret (anacinra), um medicamento biológico indicado para o tratamento da artrite reumatoide e de outras doenças autoinflamatórias.
A autorização amplia as opções terapêuticas disponíveis no Brasil para pacientes que convivem com inflamações persistentes, muitas vezes incapacitantes.
Segundo a agência, o medicamento é indicado para adultos com artrite reumatoide em associação ao metotrexato quando a resposta ao tratamento convencional não foi suficiente.
Além disso, o registro contempla o tratamento das síndromes de febres periódicas autoinflamatórias e da doença de Still, tanto na forma infantil quanto na fase adulta.
O princípio ativo do Kineret é a anacinra (anakinra), uma proteína produzida por biotecnologia que atua bloqueando a ação da interleucina-1 (IL-1), uma substância do sistema imunológico responsável por desencadear processos inflamatórios. Ao inibir essa proteína, o medicamento ajuda a reduzir dor, inchaço, febre e outros sintomas característicos dessas doenças.
O produto é administrado por injeção subcutânea, normalmente uma vez ao dia, embora a dose possa variar conforme a doença tratada, a idade e o peso do paciente. Seu uso exige prescrição médica e acompanhamento contínuo devido ao risco de infecções e à necessidade de monitoramento clínico.
Como o medicamento atua
Na artrite reumatoide, o Kineret é indicado para diminuir os sinais e sintomas da doença e retardar a progressão dos danos nas articulações em pacientes que não obtiveram controle adequado apenas com metotrexato.
Já nas síndromes periódicas associadas à criopirina (CAPS), na Febre Familiar do Mediterrâneo (FFM) e na doença de Still, incluindo a artrite idiopática juvenil sistêmica e a doença de Still do adulto, o medicamento busca controlar a inflamação sistêmica e reduzir crises recorrentes.
A aprovação também contempla crianças a partir de oito meses de idade com peso mínimo de 10 quilos para algumas dessas indicações. Entre os efeitos adversos mais frequentes estão reações no local da aplicação, dor de cabeça e aumento da suscetibilidade a infecções, motivo pelo qual pacientes devem ser avaliados antes e durante o tratamento.
O que muda
A aprovação da Anvisa representa a chegada de mais uma alternativa para doenças consideradas complexas e, em muitos casos, raras.
No entanto, o registro sanitário não significa disponibilidade imediata no Sistema Único de Saúde (SUS). Para que o medicamento seja incorporado à rede pública, ainda será necessária avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e decisão do Ministério da Saúde.
Da mesma forma, a oferta pelos planos de saúde depende das regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Até lá, a entrada do Kineret no mercado brasileiro ficará a cargo da empresa detentora do registro, que definirá o cronograma de comercialização no país.
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