Depois de 112 anos fabricando o biscoito mais vendido do Brasil, indústria familiar é comprada por fundo estrangeiro e muda a receita, a embalagem e o tamanho

Uma marca querida atravessou transformações corporativas e deixou clientes atentos aos detalhes

Magno Oliver Magno Oliver -
Depois de 112 anos fabricando o biscoito mais vendido do Brasil, indústria familiar é comprada por fundo estrangeiro e muda a receita, a embalagem e o tamanho
(Foto: Reprodução)

A história da Piraquê, marca tradicional do Rio de Janeiro, começa nos anos 1950. A construção da fábrica em Madureira começou em 1950 e a produção de biscoitos foi inaugurada em 1953.

Em janeiro de 2018, a M. Dias Branco anunciou a compra de todas as ações da companhia por R$ 1,55 bilhão, operação concluída em maio daquele ano após aprovação do Cade. Portanto, o negócio envolveu uma empresa brasileira, e não um fundo estrangeiro.

A aquisição foi apresentada pela M. Dias Branco como parte de uma estratégia para ampliar a presença no Sul e no Sudeste e incluir produtos de maior valor ao portfólio.

Na época, a Piraquê havia registrado receita líquida de R$ 717 milhões no período de outubro de 2016 a setembro de 2017. A marca manteve sua identidade dentro do novo grupo, enquanto sua trajetória anterior já incluía mudanças de logotipo e embalagens, além da modernização da produção.

Mudanças percebidas nas prateleiras

Nos últimos anos, consumidores passaram a relatar nas redes sociais diferenças de sabor, textura e tamanho em alguns produtos da marca.

Esses relatos ajudam a medir a percepção do público, mas não comprovam, sozinhos, que toda a linha tenha recebido uma nova receita após a aquisição.

A própria história da Piraquê mostra que suas embalagens já passaram por atualizações antes da mudança de controle.

Em 2024, a marca continuava entre as mais escolhidas na categoria de alimentos e bebidas, segundo o ranking Brand Footprint Brasil 2025, da Kantar.

Depois de 112 anos fabricando o biscoito mais vendido do Brasil, indústria familiar é comprada por fundo estrangeiro e muda a receita, a embalagem e o tamanho

(Imagem: Inteligência Artificial)

O que observar no pacote

Quando há redução na quantidade de um produto, o consumidor pode conferir o peso líquido informado no rótulo e comparar versões.

A Portaria nº 392/2021 determina que alterações quantitativas sejam informadas de maneira clara, com indicação da quantidade anterior, da nova quantidade e da redução, mantendo o aviso na embalagem por pelo menos seis meses.

A regra não obriga fabricantes a manterem eternamente o mesmo tamanho ou fórmula, mas estabelece transparência quando há redução quantitativa.

A chamada “reduflação”, portanto, não deve ser confundida automaticamente com uma mudança de receita. Peso e quantidade podem ser verificados objetivamente na embalagem, enquanto sabor e textura envolvem também percepção individual.

No caso da Piraquê, os documentos disponíveis confirmam a venda para a M. Dias Branco, mas não sustentam a afirmação de que um fundo estrangeiro tenha comprado a empresa ou de que uma única mudança após a aquisição tenha alterado toda a linha de produtos.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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