Prefeito sanciona lei que cria Memorial e Museu do Césio-137 em Goiânia
Espaço terá acervo histórico, homenagens às vítimas, exposições e centro de pesquisa sobre a tragédia ocorrida em 1987

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), sancionou na quinta-feira (27) a lei que determina a criação do Memorial e Museu do Césio-137 na capital.
De autoria do vereador Lucas Kitão (Mobiliza), a Lei 11.692/2026 visa a preservação da história do maior acidente radiológico do mundo ocorrido fora de usinas nucleares, fomentando a conscientização da população goianiense.
O museu também tem o objetivo de preservar a memória das vítimas, homenagear os trabalhadores que estiveram na linha de frente do acidente, além de servir de espaço educativo para escolas, universidade e visitantes.
O local onde o novo museu será implantado ainda deve ser definido pelo Poder Público. Segundo o autor do projeto, a expectativa é de seja escolhida alguma área na região Central de Goiânia, onde aconteceu o acidente.
“Nossa ideia é ter um local em Goiânia, assim como existe em Nova York, nos Estados Unidos, no Museu e Memorial do World Trade Center. O local preserva a história e a memória das vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001. É importante termos esse mesmo espaço aqui, na Capital, e preservamos ainda mais o Centro de Ciências Nucleares”, explicou Kitão.
Conforme a lei aprovada, o museu poderá contar com espaço para exposições temporárias e permanentes, acervo histórico, documental e audiovisual, espaço de homenagem com os nomes das vítimas, auditório e centro de pesquisa e documentação.
Dor e memória
O acidente aconteceu em 13 setembro de 1987 e está prestes a completar 39 anos. Na ocasião, os catadores de recicláveis Roberto Santos Alves e Wagner Mota Pereira encontraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia, no Centro.
A cápsula protetora que continha o Césio-137 foi inicialmente violada pelos catadores, mas aberta totalmente alguns dias depois por Devair Alves Ferreira, dono do ferro-velho que comprou o equipamento.
Encantado com o brilho do pó contido dentro da cápsula, Devair espalhou o pó de Césio-137 e o distribuiu para familiares, funcionários e amigos, o que gerou a contaminação em massa e resultou nas primeiras mortes da tragédia.

Cena do acidente com Césio-137, em Goiânia (Foto: Arquivo/Governo de Goiás)
Série na Netflix
Em 2026, a história do acidente chegou a ganhar uma adaptação em formato de minissérie, produzida pela Netflix, que ganhou grande repercussão nacional.
Chamada “Emergência Radioativa’, a série estreou em 18 de março de 2026 e rapidamente virou um dos maiores destaques nacionais da plataforma.
A história, que une fatos reais com ficção, acompanha médicos, físicos e equipes de resposta que tentam conter os danos provocados pela radiação. Ao mesmo tempo, a trama revisita um dos episódios mais marcantes da história recente do Brasil.
Apesar da boa repercussão, a produção recebeu algumas críticas que apontam falta de representatividade. A maior parte das cenas não foram gravadas em Goiânia e e nenhuma vítima real do acidente participou do projeto.
“O ator principal relata que ele nem sabia que esse acidente já havia existido antes de ser convidado para fazer o filme. E eu penso que assim como ele, muita gente também não sabia”, lamentou, à época, o presidente da Associação de Vítimas do Césio-137, Marcelo Neves.

Série Emergência Radioativa (Imagem: Divulgação/Netflix)
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