A psicologia afirma que pessoas que deixam a cama desarrumada durante o dia costumam ter estas características em comum

Sair sem arrumar a cama pode revelar a relação com rotina, prioridades e controle, embora não funcione como diagnóstico

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
A psicologia afirma que pessoas que deixam a cama desarrumada durante o dia costumam ter estas características em comum
(Foto: Gustavo de Souza/Portal 6)

Uma cama desfeita pode parecer resultado de pressa. No entanto, quando o hábito se repete, ele também levanta perguntas sobre prioridades e sobre a maneira como cada pessoa lida com o próprio espaço.

A aparência do quarto oferece pistas sobre hábitos, mas não funciona como um teste de personalidade. Cansaço, falta de tempo e divisão de tarefas domésticas também influenciam essa escolha.

O que esse hábito pode revelar

Em geral, quem deixa a cama desarrumada pode demonstrar maior tolerância à desordem visual, menor apego a rotinas rígidas e têndências a priorizar tarefas consideradas mais urgentes. Também pode apresentar flixibilidade diante de pequenas imperfeições e menos necessidade de controlar o ambiente.

Isso não equivale a preguiça ou irresponsabilidade. Um estudo liderado pelo psicólogo Sam Gosling, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, mostrou que quartos e escritórios carregam sinais que ajudam a formar impressões sobre seus ocupantes. Ainda assim, nenhum hábito isolado permite definir alguém.

Desordem e criatividade

Outro experimento publicado na revista Psychological Science encontrou ideias mais criativas entre participantes colocados em uma sala desorganizada. Segundo os autores, ambientes assim podem estimular a ruptura de convenções, enquanto locais ordenados favoreceram escolhas tradicionais.

A pesquisa analisou o efeito momentâneo do ambiente, não a personalidade de quem deixa a cama desfeita. Portanto, ela não prova que pessoas desorganizadas sejam necessariamente criativas.

Quando a bagunça merece atenção

A cama sem arrumar ganha outro peso quando aparece ao lado de acúmulo persistente, sofrimento ou dificuldade para cumprir atividades diárias. À Associação Americana de Psicologia, o psicólogo Joseph Ferrari relacionou o excesso de objetos à procrastinação e à redução do bem-estar.

Além disso, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles associaram a percepção da casa como desorgaizada e estressante a alterações no padrão de cortisol de mulheres. A conclusão, porém, não se aplica automaticamente a uma cama desfeita.

Assim, o hábito constuma dizer mais sobre preferências, prioridades e circunstâncias do que sobre caráter. É o conjunto de comportamentos, não o lençol fora do lugarm que permite uma avaliação responsável.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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