Dentista suspeita pela morte do jornalista Delson Carlos deixará a prisão após decisão da Justiça
Acusada deverá cumprir medidas cautelares, incluindo possível uso de tornozeleira eletrônica

Renata de Almeida Pedreira e Sousa, suspeita de ter tirado a vida do jornalista Delson Carlos, deve receber liberdade nos próximos dias.
Ela estava em prisão preventiva desde a data do homicídio, ocorrido na noite do dia 24 de julho em um apartamento do Setor Bueno, em Goiânia.
A revogação da prisão preventiva ocorreu por parte da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), em sessão promovida na manhã desta terça-feira (08) e presidida pelo desembargador Alexandre Bizzotto.
Na ocasião, o juízo decidiu não acolher o parecer apresentado pelo Ministério Público (MP) e concedeu parcialmente habeas corpus para substituir a prisão preventiva pelas medidas cautelares.
Os magistrados levaram em consideração um erro de interpretação ocorrido no momento da prisão, que teria atribuído erroneamente à Renata uma suposta tentativa de fuga.
Segundo a defesa, o alvará de soltura deve ser expedido até quinta-feira (10), com substituição da prisão por medidas cautelares que incluem a possibilidade de uso de tornozeleira eletrônica.
“O juiz tinha fundamentado sobre uma possível fuga dela, do sétimo para o quinto andar. Porém, o próprio relatório da investigação comprovou que ela não teve nenhum tipo de fuga. Ela permaneceu no imóvel, se trancou, mas não teve nenhum tipo de fuga”, disse o advogado Paulo Henrique Maia, em entrevista ao Opção.
Tribunal afasta argumento de suposta fuga
Outro fundamento apresentado pela defesa no pedido de habeas corpus foi a conclusão das investigações e a ausência de risco de contato entre Renata e testemunhas do caso.
Conforme relatado pelo advogado, Renata também não teria procurado testemunhas ou outras pessoas relacionadas ao processo durante o período em que esteve presa.
Maia também destacou que a cliente é considerada primária e possui bons antecedentes. Embora existam outros processos em andamento envolvendo Renata, segundo o defensor, não há condenações contra ela.
“Ela é primária. Embora tenha alguns processos em andamento, não foi condenada em nenhum deles. Então ela é primária e tem bons antecedentes”, acrescentou.
Relembre o caso
Conforme noticiado pelo Portal 6 à época do assassinato, Renata tinha ido ao apartamento no dia 24 de julho, junto com a companheira.
O imóvel em que Delson habitava pertencia a ela, e o objetivo da visita seria pedir ao amigo que deixasse o local para buscar outra moradia.
O jornalista respondeu que não tinha condições e foi quando começou a confusão. Primeiro, o companheiro de Delson, Warley Antônio, teria separado os dois e evitado o conflito.
Momentos depois, o grupo começou a consumir bebidas alcoólicas. Entretanto, o desentendimento acabou retornando quando a vítima se recusou novamente a deixar o imóvel.
Renata teria pegado uma faca nesse momento, por volta das 18h45, e tentado atacar o amigo. A companheira dela, Márcia Maria, tentou intervir e acabou atingida no ombro e no antebraço.
Em seguida, o jornalista foi atacado. Delson teve lesões na mão, ao tentar se defender, e também na região do peito. Feridos, ele e Márcia tentaram fugir.
O comunicador conseguiu descer dois níveis e chegar ao 5º andar, mas não resistiu e caiu no corredor. A companheira da acusada foi socorrida e levada ao CAIS Nova Era, onde recebeu atendimento.
Depois disso, Renata se trancou no apartamento, onde foi presa após a chegada da Polícia Militar.
Agora, a dentista responderá em liberdade pelos crimes de homicídio qualificado e lesão corporal qualificada.
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