Não é FPS 30, nem 100: o melhor fator de proteção solar para não se queimar, segundo dermatologistas

Mais importante do que escolher apenas o maior número da embalagem é entender o nível de proteção e aplicar o produto da maneira correta

Cristiano Roonowa Cristiano Roonowa -
protetor solar expostos
(Imagem: Ilustração/IA)

Escolher um protetor solar parece simples, mas basta chegar à prateleira para surgir a dúvida: FPS 30 é suficiente ou vale apostar em um fator mais alto?

A verdade é que o número estampado na embalagem não deve ser analisado sozinho. O FPS indica principalmente o nível de proteção contra a radiação UVB, responsável pelas queimaduras solares, enquanto um produto de amplo espectro também precisa oferecer proteção contra os raios UVA.

Por isso, para quem quer reduzir o risco de se queimar, a escolha não termina no número do FPS.

Afinal, qual FPS escolher?

Para a população em geral, órgãos de saúde recomendam o uso regular de filtro solar durante a exposição ao sol. O Ministério da Saúde indica produtos com FPS 15 ou mais, enquanto recomendações práticas de proteção solar frequentemente apontam o FPS 30 ou superior como uma escolha adequada para maior proteção.

Na prática, um protetor com FPS 30 já oferece proteção elevada contra a radiação UVB. Fatores maiores podem proporcionar uma margem adicional de proteção, especialmente para pessoas que se queimam com facilidade ou ficam muito tempo expostas.

Por isso, não é correto dizer que existe um “FPS mágico” capaz de impedir completamente a queimadura.

FPS 100 não significa proteção total

Um erro comum é imaginar que um produto com FPS 100 protege mais que o dobro de um FPS 30.

O número não funciona dessa maneira. O FPS é uma medida relativa da proteção contra a radiação que provoca queimaduras e não representa quantas horas a pessoa pode permanecer ao sol sem se queimar.

Além disso, nenhum protetor bloqueia completamente a radiação ultravioleta. Por isso, mesmo quem utiliza fatores elevados precisa combinar o produto com outras medidas de proteção.

O detalhe que pode fazer mais diferença que o número

De nada adianta escolher um fator alto e passar uma quantidade pequena de produto.

A proteção real também varia conforme a espessura da camada aplicada, a frequência da reaplicação, o suor e o contato com a água. O Ministério da Saúde reforça que esses fatores interferem diretamente na proteção oferecida pelo filtro.

Por isso, a aplicação precisa cobrir adequadamente as áreas expostas.

Quando é preciso reaplicar?

A recomendação é renovar a proteção durante a exposição solar. O Ministério da Saúde orienta a reaplicação a cada duas horas, além de reforçar o produto depois de mergulhar ou transpirar muito.

A mesma orientação aparece nas recomendações da FDA: o protetor deve ser reaplicado pelo menos a cada duas horas e com maior frequência em situações de suor ou contato com a água.

Não é só o protetor que protege

Outro ponto importante é evitar ficar diretamente exposto ao sol nos horários de maior intensidade.

O Ministério da Saúde recomenda reduzir a exposição principalmente entre 10h e 16h e utilizar recursos como roupas, chapéus, óculos de sol e sombra sempre que possível.

O INCA também destaca que a exposição solar excessiva é o principal fator de risco para o câncer de pele e recomenda combinar filtro solar com outras formas de proteção.

No fim, escolher um bom protetor não significa simplesmente procurar o maior número disponível na embalagem. Um produto com proteção adequada, aplicado corretamente e reaplicado nos momentos certos, aliado à sombra, roupas e outros cuidados, é uma estratégia muito mais eficiente para evitar queimaduras e reduzir os danos provocados pela radiação solar.

Cristiano Roonowa

Cristiano Roonowa

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). É estagiário no Portal 6 desde agosto de 2026.

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