Motorista de aplicativo compra carro usado por R$ 38 mil, financia em 48 parcelas de R$ 950 e vê motor fundir no terceiro mês em plena rodovia
Pane resultaria em orçamento de R$ 6,8 mil e ilustra um problema que pode aparecer somente meses depois da compra de um veículo

Um carro usado de R$ 38 mil, financiado em 48 parcelas de R$ 950, deveria representar uma nova fonte de renda para um motorista de aplicativo. No entanto, menos de três meses depois da compra, o motor teria fundido em plena rodovia.
A história de Douglas é fictícia e foi criada para ilustrar situações envolvendo vício oculto em veículos usados. No exemplo, o motorista trabalhava por aplicativo havia dois anos e decidiu trocar o automóvel alugado por um próprio.
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Problema apareceu no terceiro mês
Durante uma viagem de trabalho, o motor começou a apresentar superaquecimento.
Poucos quilômetros depois, surgiu fumaça sob o capô e o veículo parou de funcionar.
No caso hipotético, uma oficina apontou desgaste anterior à venda como causa da fusão do motor. Além disso, apresentou um orçamento de R$ 6,8 mil para a retífica.
O problema levanta uma questão importante para quem compra carros usados: o que acontece quando um defeito grave só aparece depois da negociação?
CDC prevê proteção contra vício oculto
O Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece proteção para defeitos que não poderiam ser percebidos facilmente no momento da compra.
Esses problemas recebem o nome de vícios ocultos.
No caso de produtos duráveis, quando o defeito é oculto, o prazo para reclamar começa no momento em que o problema fica evidente.
Por isso, o simples fato de a falha aparecer meses depois não elimina automaticamente os direitos do consumidor.
Loja pode ter de resolver o problema
Se ficar comprovada a responsabilidade do fornecedor, o consumidor pode exigir uma solução conforme as regras do CDC.
Em geral, o fornecedor tem prazo para sanar o vício. Caso isso não aconteça dentro do período legal, o consumidor pode, conforme o caso, escolher entre substituição do produto, restituição do valor pago ou abatimento proporcional do preço.
Além disso, eventuais pedidos de ressarcimento por outros prejuízos dependem das circunstâncias e das provas apresentadas.
Financiamento não desaparece com a pane
Enquanto a discussão sobre o defeito acontece, existe outro problema para quem depende do automóvel para trabalhar.
No exemplo, o motorista continuaria com 48 parcelas de R$ 950, ao mesmo tempo em que ficaria sem o veículo usado para gerar renda.
Por isso, antes de comprar um seminovo, uma avaliação feita por profissional de confiança pode ajudar a identificar problemas mecânicos que não aparecem em uma consulta documental.
Também é importante guardar contrato, nota fiscal, anúncio, conversas com o vendedor, laudos e comprovantes de despesas.
Caso apareça uma falha, o consumidor deve comunicar o fornecedor por escrito o quanto antes.
A história do carro usado de R$ 38 mil, portanto, é fictícia, mas chama atenção para um risco real: um preço aparentemente vantajoso pode se transformar em um grande prejuízo quando existe um defeito oculto.
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