Motorista de aplicativo compra carro usado por R$ 38 mil, financia em 48 parcelas de R$ 950 e vê motor fundir no terceiro mês em plena rodovia

Pane resultaria em orçamento de R$ 6,8 mil e ilustra um problema que pode aparecer somente meses depois da compra de um veículo

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
carro usado com motor fundido
(Imagem: Ilustração)

Um carro usado de R$ 38 mil, financiado em 48 parcelas de R$ 950, deveria representar uma nova fonte de renda para um motorista de aplicativo. No entanto, menos de três meses depois da compra, o motor teria fundido em plena rodovia.

A história de Douglas é fictícia e foi criada para ilustrar situações envolvendo vício oculto em veículos usados. No exemplo, o motorista trabalhava por aplicativo havia dois anos e decidiu trocar o automóvel alugado por um próprio.

Antes da compra, ele consultou o histórico do veículo e não encontrou registro de sinistro. Por isso, fechou negócio com uma loja e assumiu o financiamento.

Problema apareceu no terceiro mês

Durante uma viagem de trabalho, o motor começou a apresentar superaquecimento.

Poucos quilômetros depois, surgiu fumaça sob o capô e o veículo parou de funcionar.

No caso hipotético, uma oficina apontou desgaste anterior à venda como causa da fusão do motor. Além disso, apresentou um orçamento de R$ 6,8 mil para a retífica.

O problema levanta uma questão importante para quem compra carros usados: o que acontece quando um defeito grave só aparece depois da negociação?

CDC prevê proteção contra vício oculto

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) estabelece proteção para defeitos que não poderiam ser percebidos facilmente no momento da compra.

Esses problemas recebem o nome de vícios ocultos.

No caso de produtos duráveis, quando o defeito é oculto, o prazo para reclamar começa no momento em que o problema fica evidente.

Por isso, o simples fato de a falha aparecer meses depois não elimina automaticamente os direitos do consumidor.

Loja pode ter de resolver o problema

Se ficar comprovada a responsabilidade do fornecedor, o consumidor pode exigir uma solução conforme as regras do CDC.

Em geral, o fornecedor tem prazo para sanar o vício. Caso isso não aconteça dentro do período legal, o consumidor pode, conforme o caso, escolher entre substituição do produto, restituição do valor pago ou abatimento proporcional do preço.

Além disso, eventuais pedidos de ressarcimento por outros prejuízos dependem das circunstâncias e das provas apresentadas.

Financiamento não desaparece com a pane

Enquanto a discussão sobre o defeito acontece, existe outro problema para quem depende do automóvel para trabalhar.

No exemplo, o motorista continuaria com 48 parcelas de R$ 950, ao mesmo tempo em que ficaria sem o veículo usado para gerar renda.

Por isso, antes de comprar um seminovo, uma avaliação feita por profissional de confiança pode ajudar a identificar problemas mecânicos que não aparecem em uma consulta documental.

Também é importante guardar contrato, nota fiscal, anúncio, conversas com o vendedor, laudos e comprovantes de despesas.

Caso apareça uma falha, o consumidor deve comunicar o fornecedor por escrito o quanto antes.

A história do carro usado de R$ 38 mil, portanto, é fictícia, mas chama atenção para um risco real: um preço aparentemente vantajoso pode se transformar em um grande prejuízo quando existe um defeito oculto.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias