“Quem ficou com a sequela fui eu”: cuidadora da rede municipal de Anápolis relata trauma após ser agredida dentro de ônibus

Renata voltava do trabalho quando foi surpreendida com socos no rosto, precisando de atendimento médico

Da Redação Da Redação -
violência dentro de ônibus de Anápolis
Vítima Renata Alves à esquerda, e agressora à direita (Fotos: Reprodução)

O que era para ser apenas mais um trajeto de volta para casa após o expediente de trabalho se transformou em um verdadeiro pesadelo para a servidora Renata.

Ela foi agredida por uma jovem em aparente surto psicológico enquanto trafegava em um ônibus do transporte coletivo de Anápolis, na altura da Avenida Pedro Ludovico.

Renata é cuidadora e trabalha em um CMEI no bairro Vivian Park. Ao Portal 6, ela contou que o caso aconteceu no dia 10 de setembro, enquanto voltava para casa acompanhada de uma colega de trabalho.

Durante a viagem no coletivo, no meio do trajeto, uma jovem a surpreendeu e começou a desferir vários socos diretamente no rosto dela, sem qualquer discussão ou motivo aparente. O ataque causou sangramento no nariz, fortes dores de cabeça, tontura e uma crise de hipertensão.

“Ela levantou e socou meu nariz. Na hora meu nariz sangrou. Eu fiquei muito nervosa e eu comecei a passar mal, minha cabeça começou a doer, eu fiquei tonta”, relatou a vítima.

A violência só não tomou proporções piores graças à intervenção do motorista do veículo e de outros passageiros, que prestaram socorro inicial e acionaram as equipes de emergência.

“Minha amiga e uma senhora me acudiram, e o motorista, que parou, chamou a polícia e a ambulância”, disse.

Devido ao estado de saúde alterado e à dor intensa, a vítima foi encaminhada ao Hospital Ânima pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), onde passou por exames de tomografia.

Embora não tenha ocorrido fratura óssea, a violência quebrou os óculos de Renata e deixou marcas físicas e psicológicas profundas.

Busca por justiça

Um boletim de ocorrência foi registrado junto à Polícia Civil (PC) para apurar o crime de lesão corporal. No entanto, uma semana após o episódio, o sentimento de dor deu lugar ao medo e à indignação diante do sentimento de impunidade.

A suspeita de cometer a agressão, que seria conhecida na região por apresentar comportamentos agressivos, teria sido deixada no Terminal Urbano após a intervenção policial, sem retenção.

“No momento, um policial chegou a me falar: ‘Ah, isso não vai dar em nada, ela é uma doida’. Mas eu falei: ‘Não, mas eu quero justiça’ […] Eu fiquei sabendo que ela é do Conselho Tulelar Leste. Liguei lá e a conselheira me falou que não adianta, porque ela apronta, apronta, eles pegam ela e levam para casa. E fica isso por isso mesmo”, relembrou, indignada.

Além do trauma da agressão, Renata relata que está vivendo dias de insegurança e inquietação, assustada com a possibilidade de reencontrar a agressora. “Quem ficou com a sequela fui eu”, disse.

A vítima cobra que as medidas cabíveis sejam tomadas com urgência para evitar que outras pessoas passem pelo mesmo sofrimento.

“Ontem fez uma semana e estou aqui com medo, assustada, com o nariz ruim. Agora que está melhorando um pouco […] Eu quero justiça, porque não quero que ela faça isso com outras pessoas. Mesmo que seja esquizofrênica, o Poder Público tem que ter responsabilidade por ela”, concluiu.

A reportagem entrou em contato com a Mobilidade Urbana (Urban) de Anápolis, questionando sobre o ocorrido.O espaço para manifestação permanece em aberto.

Com colaboração de Ícaro Gonçalves

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