1 ano de Lei João Victor: veja o que já mudou em Anápolis desde a criação do Rede Segura

Fiscalizações, mutirões e cobranças às empresas passaram a integrar as ações para reduzir riscos provocados pela fiação nos postes

Lara Duarte Lara Duarte -
Morte de João Victor motivou mudanças na fiscalização da fiação urbana e deu origem às ações de retirada e organização de cabos em Anápolis. (Foto: Reprodução/Paulo de Tarso/Prefeitura de Anápolis)
Morte de João Victor motivou mudanças na fiscalização da fiação urbana e deu origem às ações de retirada e organização de cabos em Anápolis. (Foto: Reprodução/Paulo de Tarso/Prefeitura de Anápolis)

Um ano depois da criação da Lei João Victor, Anápolis já acumula uma série de ações voltadas à retirada de fios soltos, cabos sem identificação e estruturas abandonadas nos postes da cidade.

O trabalho ganhou forma por meio do programa Anápolis Rede Segura, criado após a morte de João Victor Gontijo Oliveira, de 10 anos, em setembro de 2025.

Desde então, mais de 180 quilômetros de redes já passaram por serviços de limpeza e adequação, segundo a Prefeitura. Aproximadamente 110 toneladas de fios, cabos e equipamentos em desuso também foram retiradas.

As ações são coordenadas pela Secretaria Municipal de Obras, Habitação, Planejamento Urbano e Meio Ambiente e envolvem empresas de telecomunicação que atuam no município.

Entre as que mais participaram dos serviços estão Radar, Vivo, World Claro, Explorernet, Interlink, Algar, I2 Fibra, Sette Fibra e Maxlink.

Empresas passaram a atuar em conjunto

Uma das mudanças mais recentes foi a criação de um consórcio entre provedores para disponibilizar equipes de forma conjunta durante as intervenções.

SpeedNet, Live Telecom, Shownet, IDM Telecom, Netstore e Tecnet formaram o chamado Consórcio Provedores e contrataram a Miranda Telecom para representar o grupo e disponibilizar mão de obra.

Na prática, os seis provedores passaram a dividir profissionais destinados às adequações identificadas durante as ações do Rede Segura. A atuação começou em abril deste ano.

Fiscalização avançou por bairros

A Prefeitura e o Ministério Público de Goiás também passaram a acompanhar se as empresas notificadas realmente regularizaram a situação dos cabos.

Em fevereiro deste ano, a primeira vistoria ocorreu na Vila Santa Isabel. Na ocasião, a cidade foi dividida em 30 zonas, com previsão de atuação gradual.

Em uma das etapas, 46 empresas foram notificadas para organizar a fiação, retirar cabos, caixas e equipamentos abandonados e identificar estruturas em uso.

Os prazos variam conforme o risco encontrado.

Nos casos de perigo à vida ou obstrução de vias, a regularização deve ocorrer em até 24 horas. Para outras irregularidades, o prazo pode chegar a 72 horas.

Quando não há resposta, a Prefeitura pode determinar o corte e a retirada da fiação irregular.

A Lei João Victor também endureceu as punições para empresas que deixam fios soltos ou sem manutenção. O texto prevê multas de até R$ 5 mil em caso de descumprimento das notificações.

Outra exigência é que toda fiação de internet seja identificada com telefone para contato, facilitando a localização da responsável em casos emergenciais.

A concessionária de energia também deve colaborar na identificação das empresas que utilizam os postes. Empresas que insistirem nas irregularidades ainda podem perder o alvará de funcionamento.

Como tudo começou

A mobilização teve início após a morte de João Victor Gontijo Oliveira, em 19 de setembro de 2025. O menino caminhava pela Vila Jussara quando pisou em um fio de fibra óptica energizado que estava no chão.

A investigação apontou que o cabo teria sido energizado após ser amarrado de forma irregular à luminária de um poste. Um bombeiro tentou realizar manobras de ressuscitação, mas o garoto não resistiu.

A morte provocou grande comoção na cidade e levou a Prefeitura a decretar situação de emergência para a retirada de fios irregulares. Pouco depois, a Câmara Municipal aprovou a lei que passou a carregar o nome do menino.

Em outubro do mesmo ano, o Legislativo também aprovou um projeto para batizar o parque infantil do Parque Ipiranga com o nome de João Victor.

Desde então, o caso passou a representar um marco nas ações de fiscalização sobre a fiação aérea em Anápolis.

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Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

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