Cesta básica de Anápolis custa mais que a de Goiânia e supera quase todas as capitais

Carne bovina apresenta a maior disparidade entre os municípios, enquanto farinha e tomate também contribuem para elevar os preços em Anápolis

foto de uma cesta básica com diversos alimentos
Nas pesquisas de setembro de 2026, cesta básica em Anápolis ficou mais cara do que em Goiânia (Foto: Reprodução/Gabriela Guedes/Imprensa SMetal)

A cesta básica de alimentos ficou mais cara em Anápolis do que em Goiânia em setembro de 2026, mas alguns produtos específicos ajudam a explicar essa diferença.

Entre os principais responsáveis pelo encarecimento estão a carne bovina, a farinha de mandioca e o tomate, que apresentaram preços superiores no município anapolino quando comparados aos valores praticados na capital.

Levantamento do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas (NEPE), da Universidade Estadual de Goiás (UEG), apontou que a cesta básica de Anápolis chegou a R$ 900,24 no mês.

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Por outro lado, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), registrou R$ 808,01 em Goiânia.

A diferença entre os valores divulgados foi de R$ 92,23, o equivalente a aproximadamente 11,4%.

Carne bovina é a principal diferença entre os municípios

Quando os produtos presentes nos dois levantamentos são colocados lado a lado, a carne bovina aparece como o item de maior impacto na diferença de preços.

Em Anápolis, os 6 kg usados como referência mínima para uma família de quatro pessoas custaram R$ 333,70. O mesmo volume, em Goiânia, ficou na média de R$ 281,88.

Isso representa uma diferença de R$ 51,82 a mais apenas na compra de carnes em Anápolis, ou aproximadamente 18,4% a mais.

O resultado chama a atenção porque, isoladamente, a carne bovina responde por uma parcela expressiva da distância entre os custos dos itens comparáveis nas duas cidades.

A farinha de mandioca também apresentou uma diferença significativa, embora tenha um peso menor no orçamento familiar.

Para a quantidade de 1,5 kg, o levantamento anapolino registrou R$ 13,78, enquanto o preço médio em Goiânia ficou em R$ 7,23, uma diferença de R$ 6,55, ou cerca de 90,6%.

Outro alimento que contribuiu para elevar o custo em Anápolis foi o tomate, cuja quantidade de referência é de 9 kg mensais. O produto custou R$ 87,96 no município, contra R$ 82,26 calculados para Goiânia, uma diferença de R$ 5,70.

O arroz e o óleo também apareceram com valores superiores em Anápolis, mas tiveram influência menor na comparação. Considerando as quantidades de 3 kg de arroz e 750 ml de óleo, as diferenças foram de R$ 1,17 e R$ 0,50, respectivamente.

Goiânia também tem produtos mais caros

Apesar das diferenças observadas em alguns alimentos, Anápolis não apresentou preços superiores em todos os itens analisados.

Goiânia registrou valores mais elevados em produtos como banana, leite, pão francês, batata, manteiga, café e feijão, mostrando que o comportamento dos preços varia conforme o alimento.

A banana, por exemplo, ficou aproximadamente R$ 11,90 mais barata em Anápolis, considerando os 6,75 kg como quantidade de referência mensal para uma família de quatro pessoas.

Já o leite apresentou uma distância de R$ 6,85 para os 7,5 litros, enquanto o pão francês ficou R$ 4,27 mais caro na capital, considerando os 6 kg.

A manteiga e o café também pesaram mais no cálculo de Goiânia, com diferenças de R$ 2,65 e R$ 2,18, respectivamente. O feijão, por sua vez, apresentou uma diferença de R$ 3,41, com o custo calculado para Goiânia acima do registrado em Anápolis.

Nível nacional

Além da comparação entre as cidades, o boletim do NEPE aponta que a cesta básica anapolina subiu 5,21% em relação a agosto de 2026 e acumulou alta de 16,06% em 12 meses. O tomate teve a maior elevação mensal, de 55,91%, enquanto o feijão apresentou a maior queda, de 4,39%.

Com isso, se Anápolis fosse uma capital, ela possuiria a 4ª cesta básica mais cara do ranking, atrás apenas de Rio de Janeiro (R$ 913,46), Florianópolis (R$ 915,62) e São Paulo (R$ 922,51).

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Ícaro Gonçalves

Ícaro Gonçalves

Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG).