Empresário de Anápolis cai em golpe de falso ponto de coleta e perde mais de R$ 57 mil via Pix
Criminosos usaram conversa por telefone e programa instalado por link para tomar o controle do aparelho e esvaziar contas da vítima

Um empresário do setor de logística de Anápolis foi vítima de um golpe que começou com uma oferta de trabalho aparentemente legítima e terminou com a conta bancária esvaziada.
O caso serve de alerta para quem trabalha com distribuição, comércio e entregas, e para qualquer pessoa que receba propostas de parceria por aplicativo de mensagem.
Tudo começou com uma mensagem no WhatsApp de alguém que se apresentou como consultor de coletas do Mercado Livre.
A proposta era que o empresário se tornasse um ponto de apoio da operação logística da empresa, recebendo e registrando pacotes em troca de pagamento por unidade.
Ele explicou que atuava apenas com distribuição, sem armazenamento, mas o interlocutor insistiu que isso não seria problema.
Em seguida, o empresário foi encaminhado a um segundo contato, que se passou pelo responsável por orientá-lo na instalação do aplicativo operacional e na conclusão do cadastro.
Esse segundo golpista enviou um link para a instalação de um programa chamado “Envio Flex” e pediu que a vítima ligasse de outro aparelho para continuarem a conversa.
Durante a chamada, que durou cerca de uma hora e quarenta minutos, o empresário perdeu o acesso ao próprio celular.
Quando exigiu o retorno do controle, percebeu que a tela reagia sozinha a seus toques. O criminoso respondeu que ele havia “perdido muito dinheiro” e disse ter resgatado um investimento e feito um empréstimo em nome da vítima.
Ao recuperar o aparelho, o empresário encontrou o estrago no aplicativo do banco. Havia o resgate de um investimento em CDB de R$ 41.630,06 e 15 transferências Pix, que somam R$ 57.454,94, enviadas em sequência para contas de titulares diferentes, em valores que variam de R$ 999 a R$ 4.999,99.
Os fracionamentos, quase todos logo abaixo de R$ 5 mil, são um padrão comum em fraudes desse tipo e dificultam o bloqueio.
A conduta se enquadra como fraude eletrônica, prevista no artigo 171, parágrafo 2º-A, do Código Penal, que trata de golpes cometidos com o uso de informações fornecidas pela vítima ou por terceiros por meio de redes sociais, telefone ou mensagens fraudulentas.
A Polícia Civil (PC) de Anápolis deverá investigar o caso, e um dos pontos centrais será identificar os titulares das contas que receberam o dinheiro.
Golpes digitais estão cada vez mais comuns
Casos como esse deixaram de ser exceção. Com a popularização do PIX e dos aplicativos de banco, criminosos têm aperfeiçoado as abordagens e apostam em histórias cada vez mais convincentes, como falsas ofertas de emprego, de parceria comercial e até de contato em nome de empresas conhecidas.
O objetivo costuma ser o mesmo: ganhar a confiança da vítima, fazê-la instalar um programa ou repassar dados e, em poucos minutos, esvaziar contas e investimentos.
Qualquer pessoa pode ser alvo, inclusive quem lida diariamente com tecnologia e vendas online, e por isso a desconfiança deve vir antes da pressa.
Como se proteger
- Nunca instale aplicativos a partir de links enviados por mensagem. Baixe apenas nas lojas oficiais.
- Desconfie de propostas de parceria que chegam sem que você as tenha procurado, principalmente quando prometem ganhos fáceis.
- Não permaneça em ligação seguindo instruções de desconhecidos para mexer no celular.
- Se perder o controle do aparelho, desligue-o, ligue para o banco imediatamente pelo número oficial e peça o bloqueio de contas e cartões.
- Confirme qualquer proposta diretamente nos canais oficiais da empresa.
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