Maior rio subterrâneo da América Latina passa por cidade de Goiás e atravessa cavernas gigantes escondidas no Cerrado
Rede subterrânea impressiona pelas dimensões e revela um cenário de rios, formações rochosas e cavernas pouco conhecidas no interior goiano

O maior rio subterrâneo da América Latina, segundo o Governo de Goiás, atravessa uma região do Cerrado que abriga cavernas gigantes, salões naturais e passagens formadas ao longo de milhões de anos.
O curso d’água faz parte de uma extensa rede subterrânea, na qual rios percorrem trechos escondidos sob o solo e ajudam a moldar o interior das formações rochosas.
Além das dimensões, o conjunto chama a atenção pela quantidade de cavernas existentes. Muitas delas ainda não foram completamente estudadas ou mapeadas pelos pesquisadores.
Trata-se do Rio Angélica, localizado na região do Parque Estadual de Terra Ronca, no Nordeste de Goiás.

Espelho d’água no interior da Caverna Angélica, no Parque Estadual de Terra Ronca. (Foto: Lupiphotos/Wikimedia Commons)
O complexo ocupa áreas dos municípios de São Domingos e Guarani de Goiás, próximos à divisa com a Bahia. Ao todo, o parque possui aproximadamente 57 mil hectares destinados à conservação ambiental.
O que existe nas cavernas de Terra Ronca?
De acordo com o Governo de Goiás, a região reúne mais de mil cavidades subterrâneas, sendo que grande parte permanece sem exploração completa.
O Rio Angélica integra a rede hidrográfica local e recebe do próprio governo estadual a classificação de maior rio subterrâneo da América Latina.
Além disso, Terra Ronca abriga três dos dez maiores sistemas de cavernas do Brasil, conforme levantamento apresentado pelo Estado.
Entre eles está a Lapa da Angélica, com aproximadamente 14,1 quilômetros de galerias mapeadas. Já a Lapa de São Matheus possui 22,69 quilômetros, enquanto a São Vicente I alcança 16,39 quilômetros.
As cavernas apresentam estalactites, estalagmites e grandes colunas minerais, formadas pela deposição gradual de substâncias dissolvidas na água.
Por isso, algumas estruturas levaram milhares de anos para adquirir a aparência atual.
Outro destaque é a entrada da caverna Terra Ronca I, que impressiona pelas dimensões. Segundo o governo estadual, a abertura alcança aproximadamente 96 metros de altura e 120 metros de largura.
A região também possui rios de águas cristalinas, corredeiras, cachoeiras e espécies adaptadas aos ambientes subterrâneos.

Formações rochosas e entrada de luz natural no interior da Caverna Terra Ronca. (Foto: Caio Ribeiro/Wikimedia Commons)
Atualmente, algumas cavernas recebem visitantes, mas a entrada exige acompanhamento de condutores credenciados e o cumprimento das regras de segurança estabelecidas pela administração do parque.
Assim, o complexo de Terra Ronca reúne paisagens pouco comuns e um patrimônio geológico importante para compreender a ação da água sobre as rochas ao longo do tempo.
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