Jabuticaba colhida em Goiás vira vinho e ajuda famílias a ganhar dinheiro além da venda da fruta

Safra movimenta propriedades rurais nesta época do ano e mostra como um fruto delicado pode continuar gerando renda mesmo depois da colheita

Leticia Teixeira Leticia Teixeira -
vinícola jabuticabal
(Foto: Reprodução/Redes Sociais/Vinícola Jabuticabal)

Durante alguns meses do ano, os galhos das jabuticabeiras de Hidrolândia ficam tão carregados que quase desaparecem debaixo de milhares de frutos escuros.

Boa parte da produção segue o caminho mais simples: é colhida, vendida ou consumida diretamente nos pomares.

Mas outra parcela começa uma transformação capaz de fazer a jabuticaba permanecer à venda muito depois de a fruta fresca desaparecer dos pés.

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Em propriedades do município, ela vira geleia, doce, suco, licor e até vinho artesanal, criando novas formas de comercialização para produtores e famílias que vivem da cultura. A Emater estima que a produção anual local ultrapasse 2,8 mil toneladas.

Essa vocação fez com que Hidrolândia se tornasse conhecida nacionalmente pela jabuticaba e também chamasse atenção pela produção de vinhos e outros derivados preparados a partir da fruta.

Da árvore para a garrafa

A transformação começa com uma característica que também representa um desafio para quem produz jabuticaba.

Depois de madura, a fruta possui vida útil relativamente curta. Isso significa que uma grande safra precisa ser colhida, consumida, vendida ou processada rapidamente.

A produção de derivados permite estender esse aproveitamento.

No caso das bebidas, a jabuticaba é processada para que açúcares e componentes naturais do fruto participem da fermentação. O resultado é uma bebida de coloração intensa e características próprias, diferente do vinho convencional produzido com uvas.

Em Hidrolândia, o aproveitamento vai além das garrafas.

Há produtores transformando a fruta em geleias, licores, doces e sucos, alternativas que agregam valor justamente a um produto cujo período de comercialização in natura é limitado.

A variedade de produtos já chegou também a preparações menos óbvias, e estabelecimentos da região utilizam jabuticaba em receitas que vão de brigadeiros a sanduíches.

Safra também leva visitantes ao campo

O dinheiro gerado pela jabuticaba não vem apenas da venda do fruto ou dos produtos industrializados.

Durante a temporada, propriedades recebem visitantes interessados em caminhar entre as árvores e colher diretamente do pé.

A atividade ajuda a combinar agricultura e turismo rural, criando uma fonte adicional de receita para quem abre o pomar ao público.

Em 2026, a temporada começou mais cedo em algumas áreas depois que chuvas registradas em junho estimularam uma produção fora de época. A Fazenda Jabuticabal chegou a abrir o pomar antecipadamente para visitantes antes da safra principal.

Pelo calendário habitual informado pela Emater, a colheita segue normalmente até outubro ou início de novembro, dependendo das chuvas, do clima e da produtividade de cada ano.

É justamente por isso que outubro ainda é um período estratégico para conhecer de perto esse ciclo.

A Emater acompanha produtores com orientações sobre manejo, processamento, gestão e turismo rural. Em agosto, a instituição reuniu produtores e pesquisadores em Hidrolândia para discutir formas de melhorar a cultura e reduzir perdas nas propriedades.

A cadeia formada ao redor da fruta mostra como a jabuticaba deixou de representar apenas alguns meses de colheita.

Ela começa nos troncos carregados, passa pelas mãos de quem visita os pomares e continua em potes e garrafas que permitem aos produtores aproveitar economicamente uma safra que, sem processamento, teria prazo muito menor para ser vendida.

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.