Rã quase transparente encontrada em Goiás mede pouco mais de 2 centímetros e só canta quando chove forte
Pequena, discreta e escondida no alto das árvores, a espécie passou anos confundida com outra até que DNA, canto e características físicas revelaram a diferença

Uma rã pouco maior que a ponta de um dedo conseguiu permanecer praticamente despercebida pela ciência mesmo vivendo relativamente perto de Brasília.
A espécie, encontrada em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, recebeu o nome científico de Vitreorana micaelae.
Ela mede pouco mais de 2 centímetros, tem coloração esverdeada e corpo parcialmente translúcido, característica associada às chamadas rãs-de-vidro.
O que ajuda a explicar por que demorou tanto para ser reconhecida está no comportamento.
Segundo os pesquisadores, os machos cantam no alto das árvores, em barrancos próximos aos riachos, principalmente durante chuvas intensas. Encontrá-los exige estar no lugar certo justamente nessas condições.
DNA ajudou a revelar que era outra espécie
Os primeiros exemplares lembravam animais já conhecidos.
Em 2013, indivíduos encontrados na região chegaram a ser relacionados à espécie Vitreorana eurygnatha.
A dúvida só começou a ser resolvida depois de uma análise mais ampla.
Pesquisadores da PUC Goiás, UFG e Universidade de Brasília combinaram morfologia, genética molecular, gravações do canto e observações de campo.
O conjunto mostrou diferenças consistentes.
A espécie possui particularidades na pigmentação, na região próxima à cloaca, na íris e também na vocalização. O canto tem menos notas que o registrado em espécies semelhantes.
O Museu Americano de História Natural registra atualmente a Vitreorana micaelae como espécie válida e documentada em localidades de Luziânia.
Ovos ficam pendurados sobre o riacho
A reprodução guarda outro detalhe curioso.
O casal deposita os ovos sobre folhas de árvores localizadas acima da água.
O macho permanece junto à postura. Depois que os ovos eclodem, os girinos caem diretamente no riacho e passam a viver entre os sedimentos do fundo.
A estratégia liga completamente a sobrevivência do animal à conservação dos pequenos cursos d’água e das matas ao redor deles.
Por enquanto, pesquisadores ainda sabem pouco sobre o tamanho da população.
O estudo recomendou classificar a espécie como Dados Insuficientes, justamente porque ainda faltam informações para medir adequadamente distribuição e ameaças.
A descoberta mostra como até uma área relativamente próxima de grandes centros urbanos ainda pode esconder animais desconhecidos pela ciência.
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