Torres de pedra de até 3 metros chamam atenção em fazenda de Goiás e foram esculpidas pela própria natureza
As estruturas parecem cuidadosamente montadas, com grandes pedras equilibradas no alto, mas são resultado de um processo lento que levou centenas de anos

À primeira vista, as enormes pedras equilibradas no alto de colunas estreitas dão a impressão de terem sido colocadas ali por alguém.
Mas nenhuma pessoa construiu as chamadas Chaminés de Fada de Campos Belos, no Nordeste de Goiás.
As torres foram moldadas gradualmente pela própria natureza.
Algumas chegam a aproximadamente 3 metros de altura e aparecem em grande quantidade em uma propriedade rural próxima às divisas com Bahia e Tocantins.
A escala e o nível de conservação chamaram atenção de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), que passaram a acompanhar a área a partir de 2023.
Pedra no topo funciona como proteção
A explicação está em um processo chamado erosão diferencial.
As camadas que formam o terreno não possuem todas a mesma resistência.
Com o passar do tempo, chuva, água corrente, vento e outras formas de desgaste retiram primeiro os materiais mais frágeis.
Em determinados pontos, blocos mais resistentes permanecem sobre a superfície e funcionam como uma espécie de “chapéu”, protegendo a coluna localizada imediatamente abaixo.
Enquanto a área ao redor continua sendo desgastada, aquele trecho protegido permanece em pé.
O resultado é uma torre estreita sustentando uma pedra maior no topo.
Formações parecidas existem em lugares famosos, como a Capadócia, na Turquia, mas isso não significa que sejam idênticas. As diferenças de rocha, escala e processo geológico precisam ser respeitadas.
Agora é possível visitar
Depois de anos de estudos e planejamento, as Chaminés de Fada foram oficialmente abertas à visitação em setembro de 2026.
O acesso ocorre de forma controlada justamente porque as estruturas são frágeis.
Segundo a UFG, a trilha possui aproximadamente 3 quilômetros, dificuldade moderada e duração estimada de duas horas.
A capacidade estabelecida é de até 50 pessoas por dia. Os passeios precisam ser agendados e realizados obrigatoriamente com condutor credenciado.
Na abertura da operação, o ingresso custava a partir de R$ 70 por pessoa, enquanto o serviço do condutor custava R$ 200 por grupo de até seis participantes. Como preços podem mudar, devem ser confirmados antes da publicação de qualquer serviço atualizado.
Há também regras rígidas: visitantes não podem subir nas torres, retirar pedras ou sair das áreas permitidas.
Depois de permanecerem escondidas durante séculos, as formações passaram a integrar o turismo goiano justamente com um desafio: permitir que as pessoas as conheçam sem acelerar o desgaste que a natureza levou tanto tempo para produzir.
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