A palavra mais antiga da língua portuguesa atravessou séculos e continua na boca dos brasileiros todos os dias
Uma viagem por línguas e documentos antigos revela um caminho bem diferente daquele que a forma atual sugere

Uma palavra dita todos os dias pelos brasileiros guarda uma história muito anterior à formação do português.
O termo “mãe” tem parentes em diversos idiomas, mas percorreu um longo caminho até adquirir o som e a grafia que conhecemos.
O professor e pesquisador Marco Neves explica que linguistas reconstruíram uma provável raiz indo-europeia, representada como *méh₂tēr.
O asterisco antes da palavra indica uma reconstrução, ou seja, ninguém encontrou essa forma escrita em um documento antigo.
Dessa mesma origem distante vieram o latim “mater” e palavras aparentadas, como “mother”, em inglês.
Como “mater” virou “mãe”?
No caminho do latim ao português, a palavra perdeu sons e ganhou a nasalização que marca sua pronúncia atual.
O consultor linguístico Carlos Rocha, do Ciberdúvidas, apresenta “matre”, “mai” e, por fim, “mãe” nesse percurso.
Algumas etapas intermediárias são reconstruções propostas pelos estudiosos, não grafias comprovadas em documentos.
A escrita também variou. Neves lembra que a palavra já apareceu como “mãy”, enquanto “mai” permanece em variedades do galego.
Portanto, o significado ligado à relação familiar atravessou séculos, mas a forma da palavra mudou.
Muitas palavras atuais têm ancestrais anteriores ao próprio idioma, e a idade atribuída a cada uma depende de como se define sua origem.
A história verificável de “mãe” já oferece a curiosidade: três letras de uso cotidiano carregam vestígios de transformações ocorridas ao longo de milênios.
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