Pesquisadores analisaram tecidos de 76 pessoas entre 14 e 68 anos e descobriram que o envelhecimento do corpo dá um salto por volta dos 50 anos

Análise de mais de 500 amostras mostrou que órgãos não envelhecem no mesmo ritmo e identificou uma fase de mudanças mais intensas perto dos 50

Angelina de Paula Angelina de Paula -
Pesquisadores analisaram tecidos de 76 pessoas entre 14 e 68 anos e descobriram que o envelhecimento do corpo dá um salto por volta dos 50 anos
(Foto: Reprodução/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O envelhecimento não parece avançar no organismo como uma linha reta.

Ao analisar tecidos de pessoas de diferentes idades, pesquisadores encontraram evidências de que várias mudanças moleculares ganham velocidade por volta dos 50 anos, especialmente nos vasos sanguíneos.

O artigo “Comprehensive human proteome profiles across a 50-year lifespan reveal aging trajectories and signatures“, publicado na revista científica Cell, em 25 de julho de 2025, reuniu 516 amostras de 13 tecidos de 76 pessoas com idades entre 14 e 68 anos.

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A equipe, formada principalmente por pesquisadores ligados à Academia Chinesa de Ciências, construiu um amplo mapa das proteínas presentes nos órgãos durante aproximadamente cinco décadas da vida humana.

Resumo gráfico do estudo. (Foto: Divulgação/Artigo de Pesquisa)

Ao todo, foram identificadas mais de 12,7 mil proteínas.

Os cientistas analisaram tecidos do coração, aorta, fígado, pâncreas, intestino, baço, linfonodos, glândula adrenal, tecido adiposo, pulmão, pele e músculos, além de informações obtidas do plasma sanguíneo.

O que acontece perto dos 50 anos

Ao comparar a quantidade e o comportamento das proteínas entre as diferentes idades, os pesquisadores perceberam que os órgãos seguem trajetórias distintas de envelhecimento.

Ainda assim, apareceu um ponto em comum: por volta dos 50 anos ocorreu uma inflexão importante, quando mudanças associadas ao envelhecimento se tornaram mais pronunciadas em vários tecidos.

Os vasos sanguíneos se destacaram por apresentar sinais precoces e maior vulnerabilidade.

A aorta, principal artéria do corpo, chamou particularmente a atenção da equipe.

Os cientistas encontraram mudanças em proteínas relacionadas à estrutura dos tecidos, inflamação e funcionamento vascular.

O estudo também mostrou sinais de perda da chamada proteostase, mecanismo que permite às células produzir, organizar e eliminar proteínas corretamente.

Com a idade, esse equilíbrio se deteriorou e houve maior acúmulo de proteínas alteradas nos tecidos.

Isso significa que o corpo envelhece de repente?

Não. Os próprios resultados não indicam que uma pessoa esteja biologicamente jovem aos 49 anos e passe a envelhecer rapidamente assim que completa 50.

O que os cientistas encontraram foi uma mudança estatística na velocidade de determinadas alterações moleculares quando observaram pessoas de diferentes faixas etárias.

Além disso, cada órgão apresentou seu próprio ritmo.

Os resultados também não permitem prever exatamente quando uma determinada pessoa sentirá efeitos do envelhecimento.

Genética, condições de saúde, ambiente e estilo de vida continuam influenciando fortemente esse processo.

Outro limite importante é o tamanho da amostra: embora os pesquisadores tenham estudado centenas de tecidos, eles vieram de apenas 76 indivíduos.

Assim, trabalhos maiores ainda precisam verificar até que ponto o padrão se repete em diferentes populações.

Mesmo com essas limitações, o estudo oferece uma espécie de atlas molecular do envelhecimento humano.

A expectativa é que esse mapa ajude futuras pesquisas a identificar proteínas capazes de funcionar como marcadores do envelhecimento e, eventualmente, possíveis alvos para combater doenças relacionadas à idade.

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Angelina de Paula

Angelina de Paula

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde setembro de 2026.