Parece cenário de outro planeta, mas fica no Nordeste: parque com mais de mil sítios de pinturas rupestres guarda pistas sobre os primeiros habitantes das Américas

Entre paredões, cânions e milhares de registros antigos, uma área do Piauí ajuda pesquisadores a reconstruir capítulos remotos da ocupação humana

Serra da Capivara, São Raimundo Nonato, PI
(Foto: Reprodução/Captura de tela/Google Maps)

Formações rochosas gigantes, paredões avermelhados e desenhos feitos há milhares de anos criam uma paisagem que parece distante da realidade brasileira. No entanto, esse cenário fica no Nordeste e concentra um dos conjuntos arqueológicos mais importantes das Américas.

Trata-se do Parque Nacional da Serra da Capivara, no sudeste do Piauí. A unidade abrange áreas de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias.

Serra da Capivara, São Raimundo Nonato, PI

(Foto: Reprodução/Captura de tela/Google Maps)

Segundo o ICMBio, a região reúne mais de mil sítios arqueológicos cadastrados. Atualmente, 204 deles estão abertos à visitação.

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Pinturas por toda parte

Dados do CNPq apontam 1.242 sítios arqueológicos pré-históricos e históricos na Serra da Capivara. Desse total, cerca de 1.050 possuem registros de arte rupestre.

As pinturas mostram figuras humanas, animais, cenas de caça e outras representações do cotidiano. Por isso, funcionam como pistas para pesquisadores compreenderem hábitos, relações sociais e formas de expressão de grupos que viveram na região.

Serra da Capivara, São Raimundo Nonato, PI
Serra da Capivara, São Raimundo Nonato, PI
Serra da Capivara, São Raimundo Nonato, PI
Serra da Capivara, São Raimundo Nonato, PI
Serra da Capivara, São Raimundo Nonato, PI
Serra da Capivara, São Raimundo Nonato, PI

Além disso, o parque preserva oficinas de pedra, aldeamentos, cemitérios e vestígios de cerâmica.

Debate sobre os primeiros habitantes

A importância da Serra da Capivara vai além das pinturas. Escavações realizadas na região revelaram materiais associados a ocupações humanas muito antigas.

A Unesco destaca que os achados contribuíram para reavaliar teorias tradicionais sobre quando os primeiros grupos humanos chegaram às Américas. Alguns abrigos também guardam pinturas com mais de 25 mil anos.

Entretanto, parte das datações mais antigas continua sendo discutida pela comunidade científica. Por isso, o parque é especialmente relevante como campo permanente de pesquisa sobre o povoamento do continente.

Patrimônio mundial

Criado em 1979, o Parque Nacional da Serra da Capivara protege também uma extensa área de Caatinga, com vales, serras e cânions.

Em 1991, a Unesco reconheceu o local como Patrimônio Mundial por seu valor cultural e arqueológico.

Hoje, além das trilhas e pinturas, o visitante encontra na região o Museu do Homem Americano e o Museu da Natureza, que ajudam a contextualizar as descobertas feitas ao longo de décadas de pesquisa.

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Isabella Cavalcante

Isabella Cavalcante

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária do Portal 6. Atua na equipe desde agosto de 2026.