Arquiteto transforma 6 toneladas de plástico do lixo em blocos que se encaixam como Lego e ergue uma casa de dois quartos, com 40 m², em cinco dias e com apenas quatro pessoas

Sistema colombiano reaproveita resíduos descartados, dispensa cimento entre os blocos e permite montar uma moradia completa em menos de uma semana

Arquiteto transforma 6 toneladas de plástico do lixo em blocos que se encaixam como Lego e ergue uma casa de dois quartos, com 40 m², em cinco dias e com apenas quatro pessoas
(Foto: Reprodução)

Garrafas, embalagens, sacolas e outros resíduos plásticos que normalmente acabariam no lixo ganharam uma função bem diferente na Colômbia. O arquiteto Óscar Andrés Méndez ajudou a desenvolver um sistema que transforma esse material em blocos modulares capazes de formar paredes inteiras de casas, escolas e outras construções.

As peças são produzidas pela empresa Conceptos Plásticos e funcionam por encaixe, de forma semelhante a brinquedos de montar. Em um dos modelos residenciais, cerca de seis toneladas de plástico reciclado são suficientes para erguer uma casa de 40 m², com dois quartos, sala, cozinha e banheiro.

Blocos dispensam argamassa e plástico vira matéria-prima

O sistema foi pensado para simplificar a montagem. Os blocos se encaixam uns nos outros sob pressão, sem necessidade de cimento ou argamassa entre as peças. Segundo Méndez, uma equipe de quatro pessoas consegue montar uma moradia desse tamanho em aproximadamente cinco dias.

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Em entrevista à revista colombiana Semana, o arquiteto explicou que as estruturas também podem ser desmontadas e levadas para outro local. Para a montagem, são necessários basicamente ferramentas simples, como martelo e chave.

Os blocos são compostos majoritariamente por plástico reciclado. Resíduos são separados, processados e moldados até adquirir o formato utilizado na construção.

Segundo a empresa, as peças apresentam características de isolamento térmico e acústico e recebem aditivos que retardam a propagação de chamas. A companhia também afirma que as estruturas foram desenvolvidas para suportar condições sísmicas.

Tecnologia já saiu do papel

A solução não ficou restrita a protótipos. Um dos projetos realizados pela empresa ocorreu em Guapi, no sudoeste da Colômbia, onde foram construídos abrigos para 42 famílias deslocadas pelo conflito armado.

A obra utilizou mais de 200 toneladas de plástico reciclado e foi concluída em 28 dias com uma equipe de 15 pessoas. A tecnologia também chegou à Costa do Marfim, onde a empresa participou de iniciativas para transformar resíduos plásticos em estruturas destinadas a comunidades locais.

A proposta reúne dois problemas em uma mesma solução: reduzir o descarte de plástico e acelerar a construção de moradias em locais onde métodos convencionais podem ser mais caros ou demorados.

(Foto: Reprodução)

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Leticia Teixeira

Leticia Teixeira

Estudante de Jornalismo e estagiária do Portal 6. É curiosa, apaixonada por comunicação e está sempre em busca de aprender, observar e contar boas histórias.