Quanto um casal precisa ganhar para ser considerado classe média alta no Brasil em 2026?
Levantamentos da FGV e da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa mostram como a soma dos salários influencia a posição econômica das famílias brasileiras

Um casal que trabalha, recebe dois salários e consegue manter as contas em dia pode acreditar que faz parte da classe média alta brasileira. Mas, afinal, quanto os dois precisam ganhar juntos para se enquadrar nesse grupo em 2026?
A resposta depende da renda total da casa, do número de moradores e dos critérios utilizados pelas instituições que estudam as condições econômicas da população.
No Brasil, não existe um salário oficial que determine quem pertence à classe média alta. Entretanto, levantamentos recentes ajudam a identificar os rendimentos associados a esse grupo.
O Critério Brasil 2026, elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP), estima que os domicílios classificados no estrato B1 apresentam renda média mensal de R$ 13.636,18.
Considerando um casal em que os dois trabalham e contribuem igualmente para as despesas, isso representa aproximadamente R$ 6.818 mensais para cada um.
Já no estrato B2, a renda domiciliar média estimada é de R$ 7.874,72, enquanto na classe A o valor chega a R$ 28.331,26.
Esses números, porém, representam médias observadas em cada grupo, e não salários mínimos exigidos para fazer parte de determinada classe.
Outro levantamento, realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado em janeiro de 2026, também ajuda a compreender essa divisão.
No estudo Evolução das Classes Econômicas Brasileiras: 1976 a 2024, coordenado pelo economista Marcelo Neri, a classe B aparece com renda domiciliar de R$ 10.885 a R$ 14.191 mensais.
A faixa pode ser utilizada como referência para a chamada classe média alta, embora os valores estejam expressos em preços médios de 2023, e não atualizados para 2026.
Pela mesma metodologia, a classe C, associada à nova classe média, compreende rendimentos domiciliares de R$ 2.525 a R$ 10.885. Acima de R$ 14.191, começa a classe A, sempre considerando os valores e os critérios do estudo.
Na prática, um casal que recebe R$ 5.500 cada um soma R$ 11 mil mensais. Essa renda está dentro da faixa utilizada pela FGV para representar a classe B, mas não garante automaticamente o enquadramento, especialmente porque o estudo também considera a renda por pessoa e o tamanho dos domicílios.
A quantidade de pessoas que dependem desse dinheiro faz diferença. Um casal sem filhos, por exemplo, pode ter uma situação financeira muito diferente daquela de dois trabalhadores que recebem o mesmo valor, mas sustentam filhos ou outros familiares.
Os números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajudam a dimensionar essa diferença. Em 2025, o rendimento domiciliar médio por pessoa no Brasil foi de R$ 2.316. Em Goiás, o indicador chegou a R$ 2.407.
Além disso, o custo de vida varia entre as cidades. Gastos com aluguel, alimentação, transporte, saúde e educação podem comprometer parcelas muito diferentes do orçamento familiar.
Por isso, embora uma renda conjunta próxima de R$ 11 mil a R$ 14 mil apareça nas referências da FGV para a classe B, e o estrato B1 da ABEP apresente média de R$ 13,6 mil, nenhum desses números funciona como uma fronteira universal para definir quem é classe média alta em 2026.
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