Maior fábrica de celulose do mundo, de R$ 23 bilhões, terá ferrovia própria de 45 km e promete tirar 190 caminhões por dia das estradas de Mato Grosso do Sul
Projeto bilionário em Mato Grosso do Sul avança com fábrica e ferrovia próprias e deve mudar a logística de exportação da celulose

Uma das maiores obras industriais em andamento no Brasil está avançando no interior de Mato Grosso do Sul. O Projeto Sucuriú, da chilena Arauco, reúne uma fábrica de celulose de escala recorde e uma ferrovia própria para escoar a produção.
O empreendimento está sendo construído em Inocência e recebe investimento estimado em US$ 4,6 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 23,1 bilhões. A previsão é iniciar as operações no fim de 2027.
Produção de 3,5 milhões de toneladas
Quando entrar em funcionamento, a unidade terá capacidade para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano.
Com isso, a Arauco apresenta o projeto como a maior fábrica de celulose do mundo construída em uma única etapa. A produção será destinada a itens como papéis sanitários, papéis para impressão e materiais de embalagem.
Além disso, a obra já chegou a cerca de 81% de conclusão em outubro de 2026, segundo informações divulgadas pela empresa. A capacidade plena, porém, deve ser alcançada somente depois da fase inicial de testes e ajustes.
Ferrovia própria de 45 km
Um dos principais diferenciais do complexo está na logística. A fábrica terá um ramal ferroviário próprio de cerca de 45 quilômetros, além de outros nove quilômetros de trilhos dentro da área industrial.
A estrutura fará a ligação com a Rumo Malha Norte. Dessa forma, a celulose poderá seguir de Inocência até o Porto de Santos, de onde será exportada.
O projeto ferroviário prevê 26 locomotivas e 721 vagões, com capacidade de transportar até 9,6 mil toneladas por composição. O investimento nessa infraestrutura é estimado em aproximadamente R$ 2,4 bilhões.
Menos caminhões nas estradas
Segundo a Arauco, a ferrovia deverá retirar cerca de 190 viagens de caminhões por dia das rodovias da região.
Além disso, a empresa estima uma redução de até 94% nas emissões de CO₂ relacionadas ao transporte da celulose. As obras do ramal já ultrapassaram 60% de execução.
Durante a implantação, o projeto prevê mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Depois do início da operação, a expectativa é manter cerca de 6 mil postos nas áreas industrial, florestal e de logística.
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