Saiba o que aconteceu na primeira reunião de gabinete de Donald Trump com gold card, Ucrânia, Gaza e China
Momento marca um alinhamento geral de questões cruciais ao posicionamento do governo
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GABRIEL BARNABÉ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve sua primeira reunião de gabinete deste mandato nesta quarta-feira (26), na Casa Branca. O momento, que contou com a presença do bilionário Elon Musk -aliado próximo do republicano-, marca um alinhamento geral de questões cruciais ao posicionamento americano tanto no âmbito nacional quanto no externo.
Entre as guerras do Oriente Médio e da Ucrânia, além de temáticas domésticas como o novo gold card, a dívida do país e os novos limites impostos à imprensa, a reunião refletiu o tom que o republicano tem dado a seu governo.
Veja abaixo os principais tópicos deste momento.
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GUERRA NO ORIENTE MÉDIO
Ao se referir à guerra no Oriente Médio, o republicano afirmou que a decisão sobre como prosseguir com o cessar-fogo em Gaza deve ser tomada por Israel. No pano de fundo dessa fala, além da instabilidade da primeira fase do cessar-fogo, está a proposta de Trump -endossada por Israel- de assumir o controle do território palestino e reconstruí-lo como a “Riviera do Oriente Médio” e, com isso, deslocar milhões de cidadãos locais.
Em contrapartida, Estados árabes avaliam um plano pós-guerra para combater a ideia do republicano. A proposta dos países da região, de responsabilidade principalmente egípcia, pode incluir até US$ 20 bilhões em financiamento ao longo de três anos.
GUERRA DA UCRÂNIA
Durante o encontro, Trump ainda afirmou que o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, deve ir a Washington na sexta-feira (28) para assinar um acordo de minerais, mas sugeriu que os Estados Unidos não darão garantias de segurança de longo prazo, como espera o ucraniano.
O acordo, segundo o qual Kiev entregaria parte da receita de seus recursos minerais a um fundo controlado em conjunto pelos EUA, é essencial para as tentativas ucranianas de obter forte apoio de Trump enquanto ele busca um fim rápido para a guerra da Rússia -especialmente em um contexto em que as negociações entre EUA e Rússia, que até agora excluíram Kiev, estão programadas para continuar na quinta-feira.
Kiev busca garantias de segurança dos EUA como parte do acordo, apresentado por Trump como um pagamento pela ajuda dos EUA à Ucrânia durante a guerra. “Não vou dar garantias de segurança… Vamos deixar a Europa fazer isso”, disse Trump.
RELAÇÃO COM CHINA
Ainda nas relações internacionais, Trump se recusou a comentar uma pergunta sobre se os EUA permitiriam que a China assumisse o controle de Taiwan pela força. “Eu nunca comento isso”, disse. “Eu nunca quero me colocar nessa posição.”
O republicano afirmou que pretende ter boas relações com a China, incluindo investimentos transfronteiriços, apesar da imposição de tarifas sobre produtos do país. Pequim nunca negou a possibilidade do uso da força para colocar Taiwan sob seu controle. Taiwan, por outro lado, opõe-se fortemente às reivindicações de soberania da China.
Os EUA há muito tempo dizem que não apoiam uma declaração formal de independência de Taiwan. No entanto, mantém relações não oficiais com a ilha autônoma e continua sendo seu principal patrocinador e fornecedor de armas, sob uma lei que exige que Washington forneça a Taiwan meios de se defender.
O governo americano tradicionalmente segue uma política de ambiguidade estratégica, sem deixar claro se responderiam militarmente a um possível ataque a Taiwan. O antecessor de Trump, Joe Biden, adotou uma abordagem diferente durante seu mandato, no entanto, ao dizer que as forças dos EUA defenderiam Taiwan caso a China atacasse o território.
GOLD CARD
O presidente americano ainda retomou a ideia do gold card, que seu governo anunciou nesta terça. Segundo ele, a proposta -em que a permissão de residência americana pode ser comprada por US$ 5 milhões (cerca de R$ 29 milhões)- ajudaria o país a pagar sua dívida, ao mesmo tempo em que ofereceria às principais empresas uma maneira de atrair os melhores trabalhadores imigrantes. Trump afirmou que a venda deve começar em cerca de duas semanas.
O “Trump gold card” (cartão ouro de Trump) seria uma espécie de green card, a permissão para residência permanente nos EUA, e substituiria o chamado visto para investidores, que permite morar nos EUA ao investir pelo menos US$ 1 milhão (R$ 5,8 milhões) em uma empresa que tenha ao menos dez funcionários.
IMPRENSA CERCEADA
A primeira reunião de gabinete ainda marcou uma nova posição do governo americano em relação à cobertura de veículos de imprensa. A Casa Branca negou o acesso de repórteres da Reuters, do HuffPost e do jornal alemão Der Tagesspiegel, além de um fotógrafo da Associated Press, em um gesto de conformidade com a nova política.
Nesta terça (25), o governo anunciou que determinaria quais veículos de comunicação cobririam o presidente em espaços menores, como é o caso da reunião. A Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA) tradicionalmente coordena a rotação do grupo de imprensa presidencial.
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que, embora as organizações de mídia tradicionais ainda tenham permissão para cobrir Trump no dia a dia, o governo planeja mudar quem participa nas ocasiões mais restritas. O sistema de pool, administrado pela WHCA, permitia que jornalistas selecionados de televisão, rádio, agência, imprensa e fotojornalistas cobrissem eventos e compartilhassem suas reportagens com a mídia externa.
Nesta quarta, equipes de TV da ABC e Newsmax, juntamente com correspondentes da Axios, Blaze, Bloomberg News e NPR foram autorizados a cobrir o evento.