Empresa desenvolve avião hipersônico capaz de ligar Europa e América em apenas 90 minutos

Projeto europeu aposta em hidrogênio líquido e velocidade de Mach 5 para reduzir drasticamente o tempo de voos entre continentes

Daniella Bruno Daniella Bruno -
Avião hipersônico pode ligar Europa e América do Norte em apenas uma hora e meia
(Imagem: Divulgação/ Destinus)

Viajar entre continentes em poucas horas já parecia um feito extraordinário quando o Concorde entrou em operação.

Décadas depois, porém, empresas de tecnologia voltam a desafiar os limites da aviação. Agora, novos projetos prometem reduzir ainda mais o tempo das viagens internacionais.

Atualmente, um voo entre a Europa e a América do Norte pode durar cerca de sete horas. Entretanto, uma startup europeia acredita que conseguirá realizar o mesmo trajeto em apenas 90 minutos.

Para isso, a companhia aposta em velocidade extrema, sistemas avançados de propulsão e combustíveis considerados essenciais para o futuro da aviação.

Projeto pretende levar passageiros a Mach 5

A startup suíça Destinus desenvolve o Destinus S, uma aeronave hipersônica que poderá atingir Mach 5, velocidade equivalente a aproximadamente 6.100 km/h.

Caso alcance essa meta, o avião voará cerca de duas vezes mais rápido que o Concorde, que operava a Mach 2,04.

Além disso, o projeto prevê um desempenho superior ao do lendário SR-71 Blackbird, conhecido como um dos aviões mais rápidos da história.

Com essa capacidade, passageiros poderão viajar entre Londres e Nova York em apenas uma hora e meia. Dessa forma, a tecnologia poderá transformar completamente o transporte aéreo internacional.

Hidrogênio líquido está no centro da inovação

Para alcançar velocidades tão elevadas, a empresa aposta no hidrogênio líquido.

A escolha não acontece apenas por causa da elevada densidade energética do combustível. Além disso, o hidrogênio desempenha uma função essencial no controle térmico da aeronave.

Em velocidades acima de Mach 5, o atrito com o ar gera temperaturas extremas na fuselagem. Por isso, os engenheiros precisam desenvolver soluções capazes de dissipar esse calor de forma eficiente.

Ao mesmo tempo, o combustível também pode contribuir para reduzir os impactos ambientais. Quando produtores obtêm o hidrogênio a partir de fontes renováveis, a operação deixa de emitir dióxido de carbono diretamente.

Assim, o projeto combina desempenho e sustentabilidade.

Sistema híbrido impulsiona a aeronave

Outro diferencial importante está no sistema de propulsão.

Inicialmente, motores convencionais utilizarão o oxigênio presente na atmosfera durante a decolagem e a aceleração.

Em seguida, sistemas avançados alimentados por hidrogênio assumirão parte da propulsão para levar a aeronave ao regime hipersônico.

Graças a essa combinação, a empresa espera aumentar a eficiência energética e otimizar o desempenho em todas as fases do voo.

Além disso, o sistema pode facilitar a transição entre velocidades convencionais e hipersônicas, um dos desafios mais complexos da engenharia aeronáutica moderna.

Primeira versão terá foco no mercado premium

Na primeira etapa do projeto, o Destinus S transportará até 25 passageiros.

A empresa pretende direcionar essa versão ao mercado corporativo e ao segmento de luxo. Segundo o cronograma divulgado, a companhia espera iniciar as operações comerciais entre 2030 e 2032.

Posteriormente, a Destinus pretende ampliar a capacidade da aeronave.

Para isso, a empresa já planeja desenvolver o Destinus L, um modelo capaz de transportar até 400 passageiros em voos de longa distância.

Testes avançam para tornar o projeto realidade

Embora o avião comercial ainda esteja em desenvolvimento, a empresa já acumula avanços importantes.

Nos últimos anos, a Destinus realizou testes com protótipos menores, incluindo os modelos Jungfrau, Eiger e Destinus 3.

Com esses experimentos, a equipe validou conceitos aerodinâmicos e avaliou sistemas de pós-combustão movidos a hidrogênio.

Além disso, os testes forneceram dados essenciais para aperfeiçoar tecnologias que futuramente equiparão a aeronave comercial.

Se a empresa superar os desafios técnicos da aviação hipersônica, o Destinus S poderá inaugurar uma nova fase para o setor aéreo.

Nesse cenário, viagens intercontinentais deixarão de consumir boa parte do dia e passarão a durar pouco mais do que uma reunião de trabalho.

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Daniella Bruno

Daniella Bruno

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária de SEO do Portal 6, em Goiânia. Atua na produção e otimização de conteúdos digitais, com foco em matérias soft sobre comportamento, curiosidades e temas do cotidiano.

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