Empresa desenvolve avião hipersônico capaz de ligar Europa e América em apenas 90 minutos
Projeto europeu aposta em hidrogênio líquido e velocidade de Mach 5 para reduzir drasticamente o tempo de voos entre continentes

Viajar entre continentes em poucas horas já parecia um feito extraordinário quando o Concorde entrou em operação.
Décadas depois, porém, empresas de tecnologia voltam a desafiar os limites da aviação. Agora, novos projetos prometem reduzir ainda mais o tempo das viagens internacionais.
Atualmente, um voo entre a Europa e a América do Norte pode durar cerca de sete horas. Entretanto, uma startup europeia acredita que conseguirá realizar o mesmo trajeto em apenas 90 minutos.
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Para isso, a companhia aposta em velocidade extrema, sistemas avançados de propulsão e combustíveis considerados essenciais para o futuro da aviação.
Projeto pretende levar passageiros a Mach 5
A startup suíça Destinus desenvolve o Destinus S, uma aeronave hipersônica que poderá atingir Mach 5, velocidade equivalente a aproximadamente 6.100 km/h.
Caso alcance essa meta, o avião voará cerca de duas vezes mais rápido que o Concorde, que operava a Mach 2,04.
Além disso, o projeto prevê um desempenho superior ao do lendário SR-71 Blackbird, conhecido como um dos aviões mais rápidos da história.
Com essa capacidade, passageiros poderão viajar entre Londres e Nova York em apenas uma hora e meia. Dessa forma, a tecnologia poderá transformar completamente o transporte aéreo internacional.
Hidrogênio líquido está no centro da inovação
Para alcançar velocidades tão elevadas, a empresa aposta no hidrogênio líquido.
A escolha não acontece apenas por causa da elevada densidade energética do combustível. Além disso, o hidrogênio desempenha uma função essencial no controle térmico da aeronave.
Em velocidades acima de Mach 5, o atrito com o ar gera temperaturas extremas na fuselagem. Por isso, os engenheiros precisam desenvolver soluções capazes de dissipar esse calor de forma eficiente.
Ao mesmo tempo, o combustível também pode contribuir para reduzir os impactos ambientais. Quando produtores obtêm o hidrogênio a partir de fontes renováveis, a operação deixa de emitir dióxido de carbono diretamente.
Assim, o projeto combina desempenho e sustentabilidade.
Sistema híbrido impulsiona a aeronave
Outro diferencial importante está no sistema de propulsão.
Inicialmente, motores convencionais utilizarão o oxigênio presente na atmosfera durante a decolagem e a aceleração.
Em seguida, sistemas avançados alimentados por hidrogênio assumirão parte da propulsão para levar a aeronave ao regime hipersônico.
Graças a essa combinação, a empresa espera aumentar a eficiência energética e otimizar o desempenho em todas as fases do voo.
Além disso, o sistema pode facilitar a transição entre velocidades convencionais e hipersônicas, um dos desafios mais complexos da engenharia aeronáutica moderna.
Primeira versão terá foco no mercado premium
Na primeira etapa do projeto, o Destinus S transportará até 25 passageiros.
A empresa pretende direcionar essa versão ao mercado corporativo e ao segmento de luxo. Segundo o cronograma divulgado, a companhia espera iniciar as operações comerciais entre 2030 e 2032.
Posteriormente, a Destinus pretende ampliar a capacidade da aeronave.
Para isso, a empresa já planeja desenvolver o Destinus L, um modelo capaz de transportar até 400 passageiros em voos de longa distância.
Testes avançam para tornar o projeto realidade
Embora o avião comercial ainda esteja em desenvolvimento, a empresa já acumula avanços importantes.
Nos últimos anos, a Destinus realizou testes com protótipos menores, incluindo os modelos Jungfrau, Eiger e Destinus 3.
Com esses experimentos, a equipe validou conceitos aerodinâmicos e avaliou sistemas de pós-combustão movidos a hidrogênio.
Além disso, os testes forneceram dados essenciais para aperfeiçoar tecnologias que futuramente equiparão a aeronave comercial.
Se a empresa superar os desafios técnicos da aviação hipersônica, o Destinus S poderá inaugurar uma nova fase para o setor aéreo.
Nesse cenário, viagens intercontinentais deixarão de consumir boa parte do dia e passarão a durar pouco mais do que uma reunião de trabalho.
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