O que um sonho, um velório e um homem de 90 Anos me ensinaram
Passamos boa parte da vida correndo atrás do relógio, quando, na verdade, o que dá sentido aos nossos dias não é quanto tempo temos, mas o que fazemos com ele

Após o feriado de Corpus Christi, sonhei com meu pai, o finado Zé Américo, tocando sanfona. Acordei cedo, peguei o celular e, em menos de três minutos no Instagram, assisti (apareceu espontaneamente) a três vídeos sobre vida, morte e legado, que me chamaram atenção. Senti vontade imediata de pegar papel e caneta para escrever este texto.
No primeiro vídeo, Gilberto Gil, prestes a completar 84 anos neste mês, cantava voz e violão para os netos dentro de casa. No segundo, um advogado de 47 anos, com câncer terminal, celebrava o próprio velório ainda em vida. Fez uma festa para se despedir das pessoas que ama e disse algo que dificilmente esquecerei: “Eu vou morrer uma vez só. Em todos os outros dias, eu estou vivendo. Eu escolho diariamente ser feliz. Não é fácil, tenho fortes dores, mas é possível”.
O terceiro vídeo foi maravilhoso. Moacir Franco, aos 90 anos, interrompeu a apresentação e começou a filosofar sobre a vida: “Eu queria saber quanto tempo falta. Preocupação de todos, imagina para mim que tenho 90 anos. Que horas é o encerramento? Que dia? É horrível estar no palco sem ter noção do encerramento. Tomara que seja bonito. O tempo não passa. O tempo pára e espera a gente passar”.
Ficam as lições práticas:
1) Passamos boa parte da vida correndo atrás do relógio, quando, na verdade, o que dá sentido aos nossos dias não é quanto tempo temos, mas o que fazemos com ele.
2) O legado não nasce no fim da caminhada; ele é construído todos os dias.
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