Chapada dos Veadeiros precisa de preservação, não de mineração
Nós acreditamos que preservar a Chapada dos Veadeiros é preservar a vida

Na última semana, realizamos na Assembleia Legislativa de Goiás uma audiência pública para debater a revisão do plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, na região da Chapada dos Veadeiros, e a possibilidade de liberação da mineração naquele território. O debate reuniu representantes de órgãos ambientais, pesquisadores, universidades, lideranças políticas, comunidades tradicionais, ambientalistas e moradores da região.
A Chapada dos Veadeiros não é apenas um patrimônio ambiental de Goiás. É um dos maiores símbolos da preservação do Cerrado brasileiro. Ali estão importantes nascentes, áreas de recarga hídrica, cachoeiras, trilhas, fauna, flora e comunidades que vivem diretamente da agricultura familiar, do turismo sustentável e da relação equilibrada com a natureza.
Durante a audiência pública, tivemos a oportunidade de ouvir diferentes setores da sociedade. Participaram representantes do Ibama, da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, da Agência Nacional de Mineração, pesquisadores da PUC Goiás, UEG, Universidade Federal de Goiás e Universidade de Brasília, além de moradores, quilombolas, agricultores e representantes de entidades ambientais. O principal objetivo foi ampliar o debate e garantir transparência sobre as mudanças propostas no plano de manejo.
Nós acreditamos que preservar a Chapada dos Veadeiros é preservar a vida. O Cerrado é o berço das águas do Brasil. É nele que nascem rios que abastecem outros biomas e garantem o equilíbrio ambiental de grande parte do país. Por isso, não é possível tratar uma região tão sensível apenas pela lógica econômica ou pela exploração imediata dos recursos naturais.
A mineração não é compatível com a Chapada dos Veadeiros. Essa foi uma preocupação manifestada por diferentes participantes da audiência pública. Os riscos ambientais, os impactos sobre as nascentes, sobre a biodiversidade e sobre as comunidades tradicionais precisam ser levados em consideração. Estamos falando de um território que abriga mais de oito municípios, dezenas de comunidades quilombolas, agricultores familiares e áreas de preservação reconhecidas nacional e internacionalmente.
Ao longo do debate, também ficou evidente a importância da participação popular nas decisões relacionadas ao meio ambiente. Não é possível discutir alterações em uma área de proteção ambiental sem ouvir quem vive na região, quem pesquisa o Cerrado e quem atua diretamente na preservação ambiental. A construção de políticas públicas responsáveis exige diálogo, participação social e compromisso com as futuras gerações.
Nosso mandato tem atuado de forma permanente na defesa do Cerrado e da preservação ambiental. Como presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Assembleia Legislativa de Goiás e coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Chapada dos Veadeiros, seguimos trabalhando para fortalecer a legislação ambiental, ampliar o debate sobre educação ambiental e defender políticas públicas voltadas à preservação dos recursos naturais.
A Chapada dos Veadeiros é um santuário ecológico de Goiás. Precisamos buscar alternativas de desenvolvimento que respeitem a biodiversidade, protejam as nascentes e valorizem as comunidades tradicionais. Sem água não há produção agrícola, não há vida. Preservar o Cerrado é proteger a água, a economia e o futuro das próximas gerações.







