Policiais penais vão a júri popular por morte de jovem baleado na nuca em Aparecida de Goiânia
Hermes Júnior de Oliveira dirigia para casa com os pais quando foi atingido, em novembro de 2022

A Justiça decidiu que os policiais penais Florisvaldo Ferreira da Silva Costa, Alisson Marcos e Alan de Moraes Amaral vão a júri popular em Aparecida de Goiânia. Os três são acusados da morte de Hermes Júnior de Oliveira, então com 26 anos, durante abordagem em novembro de 2022.
Hermes dirigia um carro onde estavam os pais e um amigo quando tudo aconteceu. Tinha ido buscar o pai, que trabalhava em uma empresa de ferro-velho próxima à entrada do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, e estava voltando para casa, quando se deparou com os réus em uma viatura.
De acordo com a Direção-Geral da Polícia Civil (DGPC) à época, a equipe estava à procura de drones nas imediações do presídio sob a suspeita de que alguém estivesse jogando entorpecentes no interior da construção.
Segundo os policiais, eles se identificaram no começo da abordagem e atiraram em direção aos pneus porque o motorista se recusou a parar. Alegaram ter seguido o procedimento padrão e não ter atirado nos ocupantes do carro.
A versão das testemunhas é diferente. Também à época, o pai de Hermes disse que ouviu o policial gritar: “para, senão eu atiro”, começando a disparar em seguida. A família defende que chegou a pedir ajuda às autoridades, mas que a equipe não parou para prestar socorro.
O jovem foi levado até o Cais Chácara do Governador, no banco de trás do carro, mas não resistiu aos ferimentos. Ele era casado e tinha uma filha, então com 11 meses de idade.
Para a juíza Christiana Aparecida Nasser Saad, da 2ª Vara Criminal dos Crimes Dolosos contra a Vida e Execuções Penais da comarca de Aparecida de Goiânia, que acatou o pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO), há elementos suficientes para que o caso seja levado ao Tribunal do Júri.
Reviravoltas
A decisão encerra uma série de divergências entre os órgãos públicos. Inicialmente, a Polícia Civil (PC) indiciou os policiais penais por homicídio doloso, mas o MPGO se posicionou contrário à recomendação.
O promotor original do caso, Milton Marcolino dos Santos Júnior, pediu o arquivamento do processo contra Florisvaldo e Alan, concordou com o não indiciamento do motorista da viatura (que não atirou), e pediu que o crime imputado a Alisson fosse reclassificado para homicídio culposo, sem intenção de matar.
Ainda em 2023, ele defendeu que os policiais agiram de forma correta. A partir daí, um advogado da família pediu que o caso fosse encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), solicitando um novo promotor.
Em uma das decisões, o magistrado chegou a discordar da conclusão original de Milton, defendendo que o momento não entrava no mérito da petição, que o promotor não poderia fazer o papel de acusação nem expor opinião sobre a responsabilidade dos suspeitos.
Depois disso, a nova promotora do caso devolveu o inquérito à delegacia, pedindo que a PC procurasse por imagens de segurança na região do crime, pedisse documentos que provassem que a equipe atendia a uma ocorrência, e fizesse uma reprodução simulada do ocorrido.
O MPGO apresentou a denúncia em março de 2024, quando os três suspeitos viraram réus por homicídio doloso qualificado com recurso que dificultou a defesa da vítima.
A data do Tribunal do Júri ainda não foi definida.
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