Adeus, fios nos postes: cidades brasileiras começam a implementar rede elétrica subterrânea e transforma o visual de todas ruas

Projetos avançam em diferentes regiões do país com a promessa de criar espaços urbanos mais seguros, organizados e preparados para o futuro

Layne Brito Layne Brito -
Adeus, fios nos postes
(Imagem: Ilustração/IA)

Postes sobrecarregados, cabos cruzando avenidas e fios abandonados formam uma paisagem comum em boa parte do Brasil. Com o crescimento das cidades e a expansão dos serviços de energia, internet e telefonia, essa estrutura ficou cada vez mais carregada e passou a causar problemas que vão além da aparência.

Por isso, projetos de implantação de redes elétricas subterrâneas começaram a avançar em diferentes regiões.

A proposta consiste em retirar parte dos cabos dos postes e instalar a infraestrutura abaixo do solo, principalmente em áreas históricas, comerciais, turísticas ou com grande circulação de pessoas.

Além de reduzir a poluição visual, a mudança busca aumentar a segurança, melhorar a acessibilidade das calçadas e diminuir os impactos provocados por temporais e quedas de árvores.

Poluição visual motivou novos projetos

Um dos principais motivos para o enterramento dos cabos é o excesso de fios nas ruas.

Em muitos pontos, redes de energia, telefonia e internet dividem os mesmos postes, criando grandes emaranhados.

Além de deixarem as vias com aparência desorganizada, os cabos podem esconder fachadas, monumentos, construções históricas e árvores.

Também existem fios desativados que permanecem presos aos postes mesmo depois de perderem a utilidade.

Com a rede subterrânea, as ruas ganham um visual mais limpo.

Fachadas ficam mais visíveis, a arborização recebe menos interferência e os espaços urbanos podem ser reorganizados.

Fios rompidos podem causar mortes

A segurança também impulsiona a busca pelo novo modelo.

Durante chuvas fortes, colisões contra postes ou quedas de árvores, cabos podem se romper e cair sobre ruas, calçadas, veículos e imóveis.

Mesmo sem produzir faíscas, um fio no chão pode continuar energizado.

O contato direto ou a aproximação inadequada pode provocar choques, queimaduras graves e até levar uma pessoa à morte.

Animais também ficam expostos ao perigo. Por isso, cabos caídos nunca devem ser tocados ou retirados por moradores.

A orientação é manter distância e acionar imediatamente a concessionária responsável.

Protegida abaixo do solo, a rede fica menos vulnerável a ventos, galhos e acidentes de trânsito.

Contudo, o sistema subterrâneo não elimina completamente as falhas, já que alagamentos, obras e problemas nos equipamentos também podem causar interrupções.

Cidades adotam o modelo gradualmente

São Paulo está entre as cidades que já realizaram intervenções em pontos estratégicos.

No entorno do Museu do Ipiranga, parte da fiação foi enterrada, permitindo a retirada de postes e deixando construções e áreas verdes mais visíveis.

Brasília também possui redes subterrâneas em regiões planejadas do Plano Piloto.

O modelo ainda foi implantado em trechos do Setor Noroeste, onde cabos e equipamentos foram instalados abaixo do solo para reduzir obstáculos na superfície.

Curitiba, por sua vez, desenvolve estudos para enterrar cabos elétricos e de telecomunicações em áreas estratégicas.

A proposta envolve a análise dos custos, das regiões prioritárias e do modelo de parceria necessário para executar as obras.

Esses exemplos mostram que a substituição costuma começar em espaços de maior interesse histórico, turístico, comercial ou urbanístico.

O custo elevado impede que toda a rede de uma cidade seja modificada de uma só vez.

Calçadas podem ficar mais acessíveis

A retirada dos postes também pode melhorar a circulação de pedestres.

Em calçadas estreitas, essas estruturas dificultam a passagem de cadeirantes, idosos, pessoas com carrinhos de bebê e moradores com mobilidade reduzida.

Com menos obstáculos, o espaço pode receber novas áreas de circulação, arborização e mobiliário urbano.

Além disso, as árvores deixam de disputar espaço com os cabos, diminuindo a necessidade de podas agressivas próximas à rede elétrica.

Apesar das vantagens, o sistema exige abertura de vias, construção de galerias e criação de acessos para manutenção.

Ainda assim, o avanço dos projetos revela a busca por cidades mais seguras, organizadas e preparadas para o crescimento urbano.

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Layne Brito

Layne Brito

Estudante de jornalismo na Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) e engenheira agrônoma, curiosa e sempre em busca de aprender, observar e contar histórias.

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